Problemas de visão afetam 20% das crianças em idade escolar e podem impactar desempenho acadêmico
A falta de diagnóstico precoce pode comprometer não apenas a capacidade de aprendizado, mas também a concentração e o desenvolvimento social da criança.
Dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) apontam que cerca de 20% das crianças em idade escolar apresentam algum tipo de problema de visão. A falta de diagnóstico precoce pode comprometer não apenas a capacidade de aprendizado, mas também a concentração e o desenvolvimento social da criança.
A oftalmopediatra Dra. Cristina Ronconi alerta que dificuldades visuais podem se manifestar de formas diversas, muitas vezes sem sinais evidentes.
“As crianças que têm problema na visão podem não só ter dificuldade escolar, de enxergar a lousa e de fazer uma cópia, como também podem ter dificuldade em manter o foco. Às vezes, a criança tem visão suficiente para ver o que a professora está passando, mas aquilo demanda um esforço visual e ela fica cansada mais rápido”, explica.
Ela destaca que crianças que interrompem frequentemente atividades escolares, levantam no meio das tarefas ou demonstram falta de atenção podem estar enfrentando dificuldades visuais.
“Muitas vezes, aquela criança que começa a fazer atividade e levanta no meio, ou em casa inicia uma tarefa e não consegue concluí-la, pode estar apresentando um sinal de alteração visual”, pontua.
Entre os sinais mais comuns de problemas oftalmológicos estão piscar excessivo, dores de cabeça, lacrimejamento e necessidade de se aproximar da lousa para enxergar melhor. No entanto, a especialista reforça que nem sempre os sintomas são evidentes e que exames de rotina são essenciais.
“Ao identificar qualquer um desses sinais, os pais devem procurar um oftalmologista imediatamente. Mas a sugestão é não esperar pelos sinais. A imensa maioria das crianças não apresenta sintomas claros e, muitas vezes, só descobrimos alterações em exames de rotina.”
A Dra. Cristina Ronconi enfatiza que condições oftalmológicas podem ser assimétricas, afetando apenas um dos olhos, o que torna ainda mais difícil a identificação sem uma avaliação profissional.
“O ideal é que toda criança passe por um exame oftalmológico de rotina, independentemente de apresentar sintomas”, orienta.
Sobre a especialista
Dra. Cristina Ronconi é oftalmopediatra e possui diversas especializações na área, incluindo formação na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e na UT Southwestern, em Dallas, EUA. Também é doutoranda no Departamento de Oftalmologia e Ciências Visuais da UNIFESP/EPM e atua como tesoureira da Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica.