Feira de Santana

Presidente do Sicomércio destaca negociação histórica e valorização dos comerciários na convenção coletiva

O acordo garantiu ganho real acima da inflação para os comerciários.

25/01/2026 12h17
Presidente do Sicomércio destaca negociação histórica e valorização dos comerciários na convenção coletiva
Fotos: Apolo Rocha

Após mais de três meses de negociações intensas, o Sindicato do Comércio de Feira de Santana (Sicomércio) concluiu e assinou a Convenção Coletiva de Trabalho 2025/2026. O acordo já foi protocolado no Ministério do Trabalho e passa a valer retroativamente a 1º de novembro de 2025.

De acordo com o presidente do Sicomércio, Marco Silva, o processo foi o mais longo da história recente da entidade.

“Foram mais de 90 dias de negociação, com nove reuniões formais, todas longas, além de telefonemas e pré-reuniões. Começamos a tratar da convenção ainda antes de outubro, porque alguns temas exigiam uma maturação maior”, explicou.

Apesar do tempo prolongado de negociação, Marco destacou que a parte econômica não representou o maior entrave. O acordo garantiu ganho real acima da inflação para os comerciários.

“A inflação do ano passado foi de 4,45%, e nós concedemos 6,02% para quem ganha o piso. Esse percentual foi pensado para valorizar o comerciário de Feira de Santana”, afirmou.

Para os trabalhadores que recebem acima do piso, o reajuste estabelecido foi de 5,5%.

“Mesmo para cargos de supervisão e gerência, entendemos que era importante assegurar um percentual acima da inflação. Isso mostra o compromisso do setor com a valorização do trabalhador”, completou o presidente.

Funcionamento do comércio e respeito à legislação

De forma considerada “inusitada”, o maior entrave da negociação não foi salarial, mas a definição do Dia do Comerciário. O Sicomércio defendeu a manutenção da folga na segunda-feira de Carnaval, formando um feriadão prolongado.

“O capítulo que mais demorou foi o do Dia do Comerciário. Nós defendemos que é muito melhor ter a folga na segunda-feira de Carnaval, formando um grande feriadão, do que manter uma folga em um dia normal de trabalho em outubro, quando tudo funciona”, explicou.

Ele ressaltou ainda que a data não é feriado previsto em lei.

“No dia do jornalista, do radialista, do médico ou do policial, todos trabalham. Nossa proposta foi baseada em pesquisas que mostram que o comerciário prefere um feriadão no Carnaval”, argumentou.

Outro ponto discutido foi o funcionamento do comércio nos bairros aos domingos e feriados. Marco reforçou que o sindicato defende o respeito rigoroso à legislação trabalhista.

“Somos contra qualquer transgressão à lei. O comerciário não pode trabalhar de domingo a domingo. A jornada é de 44 horas semanais, e se a lei mudar, o empresário vai cumprir”, ressaltou.

Segundo o presidente, o respeito à jornada é fundamental para garantir legitimidade nas negociações futuras.

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