Feira de Santana

Presidente da Câmara critica cachês milionários e anuncia projeto para limitar gastos com artistas em Feira de Santana

Marcos Lima defende debate sobre uso do dinheiro público e diz que proposta pode ser votada antes da Micareta

05/02/2026 10h19
Presidente da Câmara critica cachês milionários e anuncia projeto para limitar gastos com artistas em Feira de Santana
Foto: Tatiana Azeviche/ GOV-BA

O presidente da Câmara Municipal de Feira de Santana, vereador Marcos Lima, usou a tribuna nesta quinta-feira (05) para criticar os altos valores pagos em cachês a artistas em eventos públicos na Bahia e anunciou a elaboração de um projeto de lei para limitar esses gastos no município. A fala foi motivada, principalmente, pelas discussões em torno da Micareta e dos investimentos públicos realizados em grandes festas.

Segundo o vereador, há uma preocupação crescente com valores considerados incompatíveis com a realidade financeira de muitos municípios.

“Tem artista cobrando um milhão e meio por 90 minutos de show. Isso é um absurdo para a realidade da Bahia”, afirmou. Marcos Lima destacou que, em muitos casos, esses pagamentos ocorrem em cidades pequenas, com população entre 80 mil e 100 mil habitantes.

Foto: Isabel Bomfim

Para o presidente da Câmara, o problema vai além do cachê em si. Ele lembra que, além do valor pago ao artista, há custos adicionais com estrutura.

“Sem contar que, além de pagar esse valor, ainda tem palco, iluminação, segurança e toda uma estrutura por fora”, pontuou.

Marcos Lima defendeu que os recursos públicos deveriam ser priorizados em áreas essenciais.

“É dinheiro que poderia ser investido na construção de postos de saúde, merenda escolar, fardamento, material escolar, construção de casas, e que acaba sendo gasto em 90 minutos de show”, criticou.

O vereador ressaltou que não é contra a realização de eventos culturais, mas questiona os valores praticados.

“Não estamos desmerecendo a necessidade de shows e eventos. A preocupação é com os valores abusivos e com o dinheiro público, que é da população”, explicou.

Outro ponto levantado foi a intermediação nos contratos. De acordo com Marcos Lima, nem sempre o valor pago chega integralmente ao artista.

“Muitas vezes esse dinheiro passa por vários processos e por intermediários, e em alguns casos mais da metade do valor não chega ao bolso do artista”, afirmou.

Ele também citou a posição do prefeito José Ronaldo sobre o tema. “O prefeito já deixou claro que não pagaria um cachê de R$ 1,2 milhão para um artista se apresentar na Micareta. Concordo plenamente com ele”, disse.

Sobre o projeto de lei, o presidente da Câmara garantiu que a proposta está em fase avançada e pode ser discutida antes da Micareta.

“O projeto já está bem adiantado. Vamos ajustar alguns detalhes jurídicos, mas acredito que em 15 ou 20 dias conseguimos colocar em pauta”, afirmou.

Marcos Lima destacou que o debate extrapola os limites de Feira de Santana. “Estamos discutindo isso aqui, mas preocupados também com outras cidades da Bahia. A Câmara de Feira sempre levanta debates importantes, e esse não é diferente”, concluiu.

Segundo ele, a intenção é garantir que o dinheiro público seja utilizado com responsabilidade, especialmente em um cenário de alta carga tributária.

“Não podemos aceitar que recursos destinados a áreas primordiais sejam gastos dessa forma”, finalizou.

*Com informações da repórter Isabel Bomfim

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