Polícia Civil apura estupro de criança e morte de suspeito após agressões em Feira de Santana
Delegado pede serenidade e afirma que todos os envolvidos serão investigados

O delegado Gustavo Coutinho, titular da Delegacia de Homicídios de Feira de Santana, se pronunciou sobre o caso que envolve o estupro de uma criança de dois anos e o linchamento do principal suspeito, ocorrido na noite de terça-feira (24), no município.
Segundo o delegado, o caso é considerado extremamente sensível e de grande repercussão social, exigindo atuação firme e equilibrada das autoridades.
“Estamos diante de um caso extremamente sensível, de forte repercussão social, que exige da Polícia Civil resolutividade, equilíbrio e firmeza. Nossa prioridade neste momento é a proteção da criança, o acolhimento da família e a apuração completa e rigorosa da violência praticada contra ela”, afirmou.
De acordo com as investigações, o homem morto foi identificado como Dário de Jesus Barbosa, de 33 anos. Ele era conhecido da família da vítima. Conforme relatado pelo delegado, a mãe da criança o reconheceu por meio de imagens de câmeras de segurança do estabelecimento onde trabalha.
“A mãe da menor, ao analisar as imagens da mercearia, reconheceu de pronto o suspeito como sendo Dário, que já frequentava o local”, explicou.

Após a divulgação de imagens nas redes sociais, a população teria localizado o suspeito e cometido o linchamento.
“A população, revoltada, acabou encurralando o Dário em sua residência. Ele foi espancado, retirado do local e continuaram as agressões, com sinais de extrema violência e tortura”, detalhou o delegado.
A Polícia Civil informou que dois inquéritos foram instaurados. O caso de estupro está sendo investigado pela delegada Maria Clécia, titular da Delegacia do Adolescente Infrator, enquanto o linchamento é apurado pela Delegacia de Homicídios.
Dr. Gustavo destacou que, apesar da comoção popular, atos de violência não são justificáveis.
“É natural que um fato como esse gere revolta e indignação. Qualquer cidadão se sente profundamente abalado. Mas é necessário afirmar com toda clareza: a justiça não pode ser substituída pela vingança”, declarou.
Ele reforçou ainda que o Estado não admite nenhum tipo de crime, seja a violência contra a criança ou o linchamento.
“O Estado não admite, em nenhuma hipótese, nem a violência sexual contra a criança, nem atos de tortura, espancamento, execução ou linchamento. Ninguém está autorizado a fazer justiça com as próprias mãos”, pontuou.
Em nota, a Delegacia de Homicídios reiterou que todas as circunstâncias serão apuradas com rigor. “A Polícia Civil vai investigar a violência contra a criança, a eventual autoria, e também a ação dos envolvidos no linchamento e na divulgação de imagens violentas”, diz o comunicado.
O delegado afirmou que todos os responsáveis serão identificados. “A sociedade pode ter certeza de que ninguém ficará fora do alcance da investigação. Nosso compromisso é com a lei, com a verdade e com a responsabilização penal dentro do devido processo legal”, concluiu.
*Com informações do repórter Robson Nascimento
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