Feira de Santana

Pároco da paróquia Senhor dos Passos relembra história da Arquidiocese de Feira de Santana

Arquidiocese de Feira foi criada em 1962

24/05/2022 10h21
Pároco da paróquia Senhor dos Passos relembra história da Arquidiocese de Feira de Santana

As homenagens aos 60 anos da Arquidiocese de Feira de Santana continuam nos programas De Olho na Cidade e Amigos do Evangelho da Rádio Sociedade News.

Ao portal De Olho na Cidade, o Monsenhor Luiz Rodrigues, pároco da Paróquia Senhor dos Passos contou sobre o contexto religioso em que se deu origem a Arquidiocese de Feira. Segundo ele foi um período em que a igreja passava por transformações, assim como o mundo.

“Celebrar é atualizar a memória, é tornar um fato que tem continuidade no tempo. Em 1962, justamente nesse período que o mundo fervia, com a revolução chamada cultural que já no final da década teve uma explosão, é nesse contexto em que o Papa João XXIII percebe as mudanças que a sociedade está enfrentando e ele julga que a igreja está fora do tempo e ele convoca o Concílio Vaticano segundo e este concílio é convocado e realizado por esse papa sob a égide da comunhão, da participação, da integração dos povos, da busca de um novo sentido para a humanidade que estava se digladiando inclusive em guerras. O Papa movimenta o mundo e em 1963 ele morre logo no início do concílio e o concílio prossegue sob o comando do Papa Paulo IV que dá continuidade a tudo aquilo e inclusive naquela grande proposta de redimensionar as estruturas de igreja e é nesse redimensionamento estrutural da igreja e estruturante do processo evangelizador que o papa João XXII cria então algumas circunscrições religiosas novas, novas dioceses, pontos marcantes onde a igreja daria continuidade ao seu trabalho evangelizador. Em 1962, então se cria a Diocese de Feira de Santana.”

Feira de Santana foi escolhida como a cidade que abrigaria a diocese por estar passando, no período, por um grande avanço de desenvolvimento social, econômico, político e por sua posição estratégica. Monsenhor Luiz conta também que na cidade já ocorriam várias ações evangelizadoras como os Frades Capuchinhos e as Sacramentinas.

“A igreja aqui já existia, nós tínhamos aqui um grande volume de ações evangelizadoras e de grupos em movimento, tinha chegado a pouco mais de uma década, mais ou menos, os Frades Capuchinhos, missionários que fundaram uma custódia de Bahia e Sergipe aqui começaram esse trabalho missionário com a com a Rádio Sociedade e as grandes missões. Tinha também o trabalho já desde o início do século passado das religiosas Sacramentinas lidando com as estruturas sociais e de evangelização também como Dispensário Santana que até hoje existe, mas o a obra social iniciada antes, o colégio internato e existia a Paróquia Tradicional de Santana como também existia a paróquia de São José das Itapororoca que era é a pioneira daqui, como de São Gonçalo.”

O pároco conta também sobre os primeiros padres e nomes marcantes que fizeram parte da Arquidiocese.

“Foi escolhido nomeado para primeiro bispo de Feira de Santana o então primeiro bispo da diocese recém-criada de Conquista Dom Jackson Berenger Prado que era padre do clero de Bonfim, Dom Jackson veio para Feira em 1963 e começou a estruturação da diocese, ele ficou aqui por sete anos e foi transferido mais tarde para a também recém-criada Diocese de Paulo Afonso. Logo após Dom Jackson saiu, ficou uns dez meses a diocese sem bispo e o então bispo de Catité, Dom Silvério Albuquerque foi nomeado segundo bispo de Feira de Santana e aqui ficou até maio de 1995 quando então viera pra cá o bispo Dom Itamar Vian, na época bispo da Barra. A diocese pertencia a Salvador, havia um clero já idoso, alguns monsenhores famosos do clérigo Salvador que militavam aqui, a exemplo do Monsenhor Mario Pessoa, tinha o Heitor de Araújo, depois com Dom Jackson veio pra cá o Monsenhor Aderbal Sabback,  que foi inclusive o primeiro pároco da Senhor dos Passos e eram poucos os padres aqui. O Dom Jackson trouxe então o monsenhor Renato de Andrade Galvão que deu um impulso muito grande a diocese, foi constituído vigário geral e outras coisas mais aqui e aos poucos outros padres além dos missionários jesuítas e outros religiosos que foram agregando ao conjunto dos padres.”

Dom Jackson logo no início, em 1964, dividiu a cidade de Feira de Santana em quatro grandes zonas: a paróquia dos Capuchinhos, consagrada a Santo Antônio, a paróquia Senhor dos Passos aqui no Centro, a paróquia Senhor do Bonfim no Cruzeiro e a paróquia de Santana que já existia. Hoje se tem em torno de vinte paróquias apenas na sede de Feira de Santana.

Monsenhor Luiz lembrou também os momentos mais marcantes, em sua opinião, desde o período da criação da Arquidiocese.

“Dom Jackson chegou aqui em 1963, logo explodiu o golpe militar de 31 de março de 1964 e Dom Jackson teve muita dificuldade, como Dom Silvério teria mais tarde, em conviver com essa realidade de ditadura que infelizmente hoje muito se especializam em não mencionarem, em apagar da história, mas eu era adolescente e vi inclusive a prisão do prefeito Chico Pinto na época, então Dom Jackson teve uma presença forte, embora não reconhecida por muitos e não entendida por outros. Outro fato marcante foi a chegada de Dom Itamar, ele vinha precedido de uma grande fama diríamos de ser um homem revolucionário. A chegada de Dom Itamar aqui suscitou no coração da Igreja de Feira de Santana uma expectativa enorme. Eu me lembro da sua posse no dia 28 de maio, nós saímos daqui da Senhor dos Passos em procissão até a catedral e havia nos olhares das pessoas uma grande expectativa com esse bispo que era jovem inclusive, então Itamar impactou a Feira de Santana. Foi um momento muito bonito, muito grande dessa diocese.”

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