O que te incomoda na região íntima? Ginecologista fala sobre saúde, autoestima e tabus femininos
A médica destacou a importância de abordar com naturalidade as questões relacionadas à saúde íntima da mulher.
Em mais uma edição do tradicional encontro das sextas-feiras na bancada do Cidade em Pauta, da Rádio Nordeste FM, a ginecologista Dra. Márcia Suely trouxe à tona o tema: “O que te incomoda na região íntima?”
A médica destacou a importância de abordar com naturalidade as questões relacionadas à saúde íntima da mulher.
“Se nada te incomoda, nada será feito”, afirmou Dra. Márcia logo no início da entrevista. “Muitas acham que é normal sentir dor na academia, ter desconforto durante o sexo ou até vergonha do próprio corpo. E não é”, completou.
A ginecologista revelou que muitas pacientes chegam ao consultório com dúvidas e desconfortos que carregam há anos. “Elas dizem: ‘Doutora, olha aí e veja o que tá errado. Não sei o que é, mas sei que não tá bom’. E eu sempre pergunto: ‘Mas o que te incomoda?’”, relata.
Segundo Dra. Márcia, esse incômodo deve partir da percepção da própria mulher, e não da opinião do parceiro ou do espelho da sociedade. “Não é o que eu acho, nem o que o seu marido acha. É o que você sente. E é sobre isso que precisamos falar com mais naturalidade.”
Entre os temas mais procurados no consultório está o escurecimento da região íntima. “É muito comum e difícil de tratar. Não adianta usar só um creme comprado na farmácia”, explica a médica. Ela associou o problema a fatores como obesidade, resistência insulínica, diabetes, uso de anabolizantes e até a prática de esportes com atrito frequente, como bike e CrossFit.
“É como o melasma no rosto, que também é difícil de clarear, mas tem tratamento. Quando clareia, o resultado estético realmente muda a autoestima da mulher”, garante.
Outro ponto abordado foi a flacidez e a perda de volume dos grandes lábios, algo comum após o parto, emagrecimento ou menopausa. Dra. Márcia explicou que há tratamentos para cada caso, que podem incluir bioestimuladores de colágeno ou preenchimento com ácido hialurônico. “Vai depender da avaliação conjunta entre médica e paciente. Cada mulher é única.”
A hipertrofia dos pequenos lábios, segundo a médica, é a cirurgia íntima mais procurada atualmente. Mas ela alerta: “Nem sempre a cirurgia isolada resolve. Muitas mulheres também têm aumento do capuz do clitóris e tudo isso precisa ser avaliado para alcançar um resultado harmonioso.”
Dra. Márcia fez questão de esclarecer que a cirurgia não é feita para agradar o parceiro. “A mulher faz por ela. Nenhum parceiro se preocupa com estética, eles se preocupam com o funcionamento. É ela que se olha no espelho e quer se sentir bem.”
A médica ainda relatou um caso de uma paciente que, apesar de já ter feito diversos procedimentos estéticos, queria fazer cirurgia íntima. Após a avaliação, Dra. Márcia percebeu que o problema era emocional.
“Eu disse: ‘Sua vulva é linda, você não precisa’ e recomendei que procurasse ajuda psicológica. Ela não se via como era. A autoestima dela estava abalada.”
Para a ginecologista, olhar para a saúde íntima da mulher é também cuidar do seu bem-estar emocional e da sua autoestima. “Ter saúde não é só a ausência de doença. É se sentir bem, segura, com autoestima e qualidade de vida”, conclui.