Saúde

Nova diretriz brasileira reduz limite da pressão considerada de risco e cardiologista alerta para prevenção

O objetivo é prevenir AVC e infarto antes que a hipertensão se instale.

19/09/2025 08h47
Nova diretriz brasileira reduz limite da pressão considerada de risco e cardiologista alerta para prevenção
Foto: Freepik/imagem ilustrativa

A pressão arterial “normal” ficou mais rigorosa no Brasil. A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), em parceria com as sociedades de Nefrologia (SBN) e Hipertensão (SBH), divulgou na quinta-feira (18), durante o 80º Congresso Brasileiro de Cardiologia, a nova diretriz que reclassifica como pré-hipertensão valores a partir de 12 por 8 até 13,9 por 8,9 (120-139 mmHg de sistólica e/ou 80-89 mmHg de diastólica).

Antes considerados “normais limítrofes”, esses números agora exigem maior atenção médica. O objetivo é prevenir AVC e infarto antes que a hipertensão se instale.

O cardiologista Dr. Israel Reis explicou que a decisão se baseia em estudos que demonstram risco cardiovascular já nessa faixa.

“Quanto mais precoce a gente intervir na pressão arterial, menor será o risco de AVC e infarto. 30 a 40% dos pacientes nessa faixa podem evoluir para hipertensão em quatro ou cinco anos”, alertou.

Segundo o médico, a recomendação é mudança no estilo de vida, não uso imediato de remédios.

“É o momento de reduzir o sal, perder peso e praticar atividade física. Essas pessoas não vão ganhar comprimidos, e sim orientação para evitar que se tornem hipertensas”, ressaltou.

Entretanto, Dr. Israel destacou que pacientes de alto risco, como quem já teve infarto, AVC ou diabetes grave, podem precisar de medicamentos mesmo abaixo de 14 por 9.

“Hipertensão continua sendo pressão igual ou superior a 14 por 9. Mas quem já tem doença cardíaca ou diabetes pode ter indicação de tratamento antes disso”, explicou.

A nova diretriz também atualiza a avaliação do risco cardiovascular global, com um novo escore que considera fatores como diabetes, obesidade e lesões em órgãos-alvo.

“A gente computa esses fatores e classifica o paciente em risco baixo, intermediário ou alto. Isso ajuda a personalizar a conduta”, detalhou.

As mudanças seguem tendência internacional. Em 2024, o Congresso Europeu de Cardiologia já havia classificado 12 por 8 como ‘pressão arterial elevada’, reforçando a importância da prevenção.

Dr. Israel concluiu lembrando a principal arma contra a hipertensão: “Se tem algo que o paciente pode fazer para evitar ser hipertenso é praticar atividade física. O exercício vem com muita força nessa diretriz.”

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