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22/11/2021 - 16:38

Automedicação: farmacêutico explica riscos da prática para a saúde

Saúde
Automedicação: farmacêutico explica riscos da prática para a saúde
Foto: Reprodução

Edi Conceição

Dados do Conselho Federal de Farmácia (CFF) mostram que 77 % dos brasileiros se automedicam com frequência. Outro ponto revelado pelo estudo é que 25 % das pessoas tomam remédios por conta própria todo dia ou no mínimo uma vez por semana, evidenciando que a prática já caiu na rotina dos brasileiros, sendo algo mais que corriqueiro no dia a dia.

O farmacêutico Fabrício Cerqueira destaca que esse ato na maioria das vezes está ligado a uma questão cultural que já se arrasta no país há muito tempo, e é potencializado principalmente pela ausência de uma assistência médica de qualidade para grande parte da população.

“A prática automedicação ainda é muito forte no Brasil, mas isso não é só aqui, em muitos países que têm como característica principal o difícil acesso ao serviço de saúde e aos médicos, a realidade é a mesma. O Brasil é um país em evolução, onde está cada vez mais fácil essa assistência médica de uma maneira geral, porém ainda assim é muito carente nesse aspecto. Então criou-se a cultura de que se o paciente sentir algum sintoma ele tende primeiro a ir a uma farmácia e pedir uma indicação ao balconista e adquirir um medicamento sem a prescrição médica.”

(Foto: Arquivo pessoal)

O ato de tomar remédios por conta própria traz inúmeros perigos à saúde do indivíduo. O profissional de farmácia destaca alguns deles:

“Os ricos da automedicação são vários: o primeiro deles é que através da automedicação o paciente pode sofrer reações alérgicas inesperadas, há também a interação medicamentosa quando esse paciente já faz uso de um medicamento e ele não tem conhecimento que ao utilizar outro remédio se pode causar uma interação medicamentosa entre esses dois e isso pode desde inativar o efeito de algum deles ou potencializar o efeito de maneira desordenada. Um outro risco que vale destacar é a dependência que alguns medicamentos causam, então é necessário um bom manejo médico e uma prescrição.”, alerta.

 

 Fabrício comenta ainda sobre um aspecto preocupante relativo a automedicação. Ele destaca que ao se fazer por conta próprio o uso de certos medicamentos há a possibilidade de se mascarar alguma outra doença pré-existente.

“Outro problema que as pessoas sofrem com a prática é mascarar a doença. O paciente tem um sintoma específico, como por exemplo, uma dor de cabeça constante e aí ele faz uso de analgésico sem ser prescrito. E na verdade esse analgésico está mascarando a doença só aliviando os sintomas, porém não cura, e de repente, essa pessoa pode sim ter uma doença grave.”, pontua o farmacêutico.

E finalizando, ele destaca a importância do trabalho que a classe desenvolve junto à população orientando ao quanto ao uso correto e dosado das medicações.

“O papel do farmacêutico frente à automedicação é fundamental, pois ele tem conhecimento suficiente para orientar os pacientes e as pessoas acerca do uso correto do medicamento até mesmo com aqueles que estão isentos de prescrição, pois através da orientação do profissional essa pessoa vai puder fazer o uso de maneira correta e assertiva.” finaliza.

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