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19/11/2021 - 11:41

Especialista explica as consequências neuropsicológicas de um câncer de próstata

Novembro Azul
Especialista explica as consequências neuropsicológicas de um câncer de próstata

Um estudo feito pela Sociedade Brasileira de Urologia com 1061 homens entre 40 a 70 anos de idade revelou que 76% deles não conhecem o Exame Digital Retal para detecção do câncer de próstata. Nesta mesma pesquisa, apenas 32% dos participantes disseram já ter feito o exame. Tendo em vista que o câncer de próstata é o segundo mais prevalente no Brasil entre os homens, perdendo apenas para o câncer de pele, este dado é alarmante.

Em entrevista ao programa Jornal do Meio Dia, da rádio Princesa FM, o neuropsicólogo Kleber Fialho explicou que os comprometimentos neuropsicológicos relacionados ao câncer de próstata possuem duas vertentes.

“Quando se fala em comprometimentos neuropsicológicos tem duas vertentes que a gente precisa analisar, a primeira é a questão do tratamento que muitas vezes é utilizada a quimioterapia e essa modalidade terapêutica é associada à alteração do funcionamento cognitivo, então a gente já tem dados que com a quimioterapia temos alterações que incluem memória, aprendizagem e concentração, por isso para quem já tem o diagnóstico e está fazendo o tratamento com a quimioterapia é importante verificar se está tendo alterações e é possível montar programas de reabilitação paralelos. Outra questão é quando não há efetivamente esse tratamento, mas o indivíduo ele vai perdendo a sua função sexual e, portanto vai se tornando mais depressivo. Muitas vezes essa disfunção pode ocorrer de maneira irreversível ou com uma dificuldade muito grande de fazer a relação ou com questões relacionadas a dores, por isso que pode acontecer do indivíduo chegar a uma situação de perda da vontade de viver.” Explica.

O tratamento nesses casos funciona com a transferência de zonas de prazer para outras áreas.

“Quando acontece esse estágio a gente precisa entrar em um programa de transferência das zonas de prazer e o individuo ele adquirir outras formas de fazer com que essas zonas cerebrais relacionadas às zonas sexuais possam também servir para que o indivíduo tenha a satisfação plena transferida para outras questões como a música, a gastronomia, a arte, por isso que o acompanhamento sistemático é muito importante para que se possa além de acompanhar ir corrigindo a medida que vão aparecendo essas deficiências.” Salienta Kleber.

A participação da família nesse processo é fundamental, tanto para o apoio no tratamento da doença, como para o monitoramento de possíveis alterações neuropsicológicas.

“As questões neuropsicológicas estão ligadas a atividades de vida diária, então muitas vezes o paciente não percebe esses acometimentos de maneira imediata, por isso é muito importante a percepção dos familiares para verificar se a pessoa está com alguma alteração. Pequenos sinais que parecem ser lapsos de memória, mas que são progressivos, com alterações de humor, é preciso ser monitorado pela família para que possam ser corrigidos em tempo hábil, porque se não teremos dois problemas, além da questão do câncer a gente vai ter um sujeito que vai estar com uma inabilidade cognitiva.” Afirma.

Um dos aspectos que parece influenciar o homem brasileiro na prevenção ao câncer de próstata é a visão cultural da masculinidade carregada de preconceitos, que funciona como uma barreira social para a saúde. Infelizmente homens têm maior dificuldade de expressar adequadamente seus sentimentos, tendem a querer resolver sozinhos suas dores, e demoram para buscar auxílio psicológico, mesmo diante de grande sofrimento.

“É preciso ter um cuidado integral do homem, do mesmo jeito que existe muitos preconceitos para avaliação do câncer de próstata também tem muitos preconceitos relacionados a função psicológica, muita gente acha que só vai procurar um psicólogo quando tiver algum problema mental e a gente está trabalhando com prevenção. É cultural, infelizmente a gente tem que enfrentar além dessa barreira pessoal, uma cultura masculinizada no sentido depreciativo, em que o homem não chora, ele precisa mostrar que está sempre potente, agressivo e todo momento em que ele se sente fragilizado, ainda mais com a presença do câncer de próstata, a primeira reação é se fechar e muitas vezes reprimir o sentimento. A gente precisa entender que essa iniciativa provoca no nosso organismo uma série de consequências, então o melhor de tudo é procurar ajuda.” Alerta Kleber.

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