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12/10/2021 - 08:07

Especialista fala sobre a saúde mental de crianças e adolescentes durante a pandemia

Saúde
Especialista fala sobre a saúde mental de crianças e adolescentes durante a pandemia

Associada a adultos e adolescentes, a depressão também atinge crianças. Entre os pequenos, é mais rara (cerca de 1% das crianças) e difícil de ser diagnosticada: os pais resistem a acreditar que o filho pequeno tem depressão, podem achar que é birra. E as crianças nem sempre conseguem nomear o que sentem.

A pandemia e o isolamento social formam a "tempestade perfeita" para o aumento de casos de depressão. Isso porque, segundo especialistas, crescem fatores de risco que podem desencadear o problema e diminuem as chances de proteção.

“Eu acho que as nossas crianças nunca tiveram um confinamento dessa forma que aconteceu na pandemia, isso provocou neles uma situação de não convivência na fase mais necessária de conviver com os colegas, os professores, com a sociedade em geral e apesar de todo mundo achar que criança e jovem se tiverem um celular e dentro do quarto está tranquilo, a pandemia revelou o contrário, os jovens nunca sentiram tanta falta de estar em convívio.” Relata o psicanalista clínico Dilton Barros.

Diferentemente da tristeza, primeira lembrança ao se falar em depressão, a doença nas crianças se manifesta na forma de irritação. “A depressão nas crianças e jovens pode se caracterizar por outras manifestações, como alterações de humor, falta de prazer em viver, não querer executar as tarefas rotineiras, alteração do sono, irritabilidade, agitabilidade, explosão de raiva e agressividade, e a partir daí pode ocorrer o estado de tristeza.” Explica.

Pesquisa do Instituto de Psiquiatria da USP que investigou a saúde mental de jovens na pandemia identificou sintomas de ansiedade ou depressão em 27% das 7 mil crianças e adolescentes, de 5 a 17 anos.

“A tristeza seria uma fase inicial do processo depressivo, todo mundo tem direito a estar triste, se os pais percebem que essa tristeza se prolonga demais para psicanálise ela está em um estado de melancolia, que é uma tristeza mais profunda e se essa melancolia evolui para um estado de profunda depressão, a gente precisa estar intervindo com profissional capaz de identificar se realmente é depressão.” Pontua.

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