Programa De Olho na Cidade

12/09/2020 - 15:20

Há 70 anos, os frades Capuchinhos fundaram um dos mais tradicionais bairros de Feira

Feira e sua História
Há 70 anos, os frades Capuchinhos fundaram um dos mais tradicionais bairros de Feira

Em 2020, comemora-se os 70 anos da chegada dos frades Capuchinhos à nossa Princesa do Sertão. E dentro do projeto “Feira de Santana e sua História”, ao De Olho na Cidade, o frei José Monteiro Sobrinho, contou com riqueza de detalhes como se deu a fundação de um dos principais bairros do município.

“Quase quatro gerações passaram pelas mãos dos Capuchinhos aqui, não apenas neste bairro de mesmo nome, mas em toda Feira de Santana e na nossa região. Assim começou a história dos Capuchinhos, na simplicidade e na busca de espalhar o evangelho, de sustentar a fé. Os Capuchinhos olharam para Feira de Santana, como um nascer do novo sol para o ordem na Bahia, no Brasil e a partir de 1949 começaram a voltar os olhos aqui para a nossa cidade, eles estavam em Salvador e outras cidades da região e perceberam que Feira era o futuro. Em 1950 vieram os primeiros frades, Frei Henrique, Frei Benjamim, Frei Graciano, já com o intuito de preparar o ambiente. Permaneceram aqui, adquiriram um terreno, um sítio, que era uma fazenda, chamada Deus Dará, e começaram a construção do convento e seminário”, disse.

Frei Monteiro nos contou que chegou aqui, 8 anos após os frades Capuchinhos e que naquela época, os seminaristas eram trazidos aos 9, 10 anos de idade. “Eles diziam que iriam preparar frades para a ordem, para a igreja e que queriam crianças ainda com aquele sentimento de inocência. Quando cheguei aqui, eram 64 crianças, adolescentes e o sacrifício dos frades em sustentarem este seminário era imenso, pois não tinham outro meio de vida, passavam aperto, eram homens de uma dedicação enorme, mas com uma contribuição muito generosa com o povo de Feira de Santana, pois acreditavam, se dedicavam a fé e a ação social, a evangelização, a educação e depois à comunicação”, explicou

Ainda segundo ele, o bairro dos Capuchinhos passou a se chamar assim, porque, quando os frades chegaram aqui, a região era vazia. “Era um tabuleiro, arenoso e não tinha nada, e eles começaram o movimento da igreja, trouxeram o povo, a igreja, a rádio e hoje temos este complexo que faz parte da história moderna de Feira de Santana”, afirmou.

Ele também destacou a importância do Frei Benjamim, não só para Feira de Santana, mas para outras grandes cidades da Bahia. “Frei Benjamim é um nome que marca na Bahia, pois ele adquiriu a rádio Sociedade de Feira de Santana para os Capuchinhos, foi o que também iniciou a construção do nosso grande convento igreja, em Vitória da Conquista, ele foi quem trouxe o hospital São Rafael para a Bahia, se articulou diante do governo, adquiriu o terreno e não foi fácil, tudo isso deve-se a ele em primeiro lugar e muitas outras obras. Ele faleceu aos 92 anos, mas não parava de trabalhar”, disse.

Em parceria com a professora Lucila, Frei Monteiro escreveu um livro, que detalha a história da chegada dos frades Capuchinhos à Feira de Santana. “Quem quiser saber a história dos frades Capuchinhos em Feira de Santana, nenhum capuchinho da Bahia e Sergipe, nem os que moram aqui sabem tanto quanto a professora Lucila, pois ela é uma grande pesquisadora, devotada, disciplinada e conhece bem essa história. Escrevemos este livro, com a participação de João Carlos Marquezine, que é neto de Marquezine, o engenheiro desta igreja dos Capuchinhos. Lançamos esta obra, mas infelizmente está esgotado, mas estamos trabalhando para uma nova remessa”, contou.

Já a professora Lucila, destacou a questão da aquisição do primeiro terreno e como era a região, antes da construção da igreja. “Existe uma entrevista de Fraterno ao Jornal Feira Hoje, onde ele diz que o terreno, por ele saber a causa que era nobre, acabou vendendo barato, mas posteriormente, quando viu a construção em andamento, se empolgou e doou o lote. Tenho a planta de loteamento da chácara Deus Dará, sem nomes de ruas, só com números, e uma coisa muito interessante, os frades quando vieram, eles ficaram na chácara de Zé Campos, um caminhoneiro, que costumava se reunir com os demais colegas numa jaqueira que ficava nas mediações de uma igreja evangélica que fica ali, naquela época, tanto a Getúlio Vargas, quanto o bairros dos Capuchinhos, eram fazendas e chácaras, e essa jaqueira em que Campos se reunia era num ponto central, daí o nome do bairro Ponto Central, e o bairro Capuchinhos, recebeu o nome em decorrência da instalação dos frades. A rua Juraci Magalhães até a João Durval, o quarteirão Castelo Branco, era toda a chácara de José Campos. Na Brigadeiro Eduardo Gomes, os freis realizavam as suas celebrações, era chamada “garagem capela”, ainda existe e funciona uma oficina no local. Não foi na igreja dos Capuchinhos, nem no convento que iniciou a história, ela foi iniciada naquela chácara, aonde eles fizeram as primeiras celebrações, é um marco”, contou.

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