Programa De Olho na Cidade

24/08/2020 - 18:27

Especialista explica como identificar sinais de que uma criança está sendo violentada

Reportagens Especiais
Especialista explica como identificar sinais de que uma criança está sendo violentada

Sérgio Di Salles

Recentemente, o caso da menina de apenas dez anos de idade, que foi violentada por um tio desde os seis, chocou o país. E sobre este assunto, dentre outros relacionados, principalmente os sinais que indicam que uma criança está sofrendo violência sexual, nós conversamos com a Psicanalista Clínica e Infantil, Jamile Sena, que concedeu entrevista na tarde desta segunda (24) ao De Olho na Cidade.

Segundo ela, quando se fala de índices, apenas 16% dos agressores são conhecidos, dados da OMS, e que maioria deste percentual faz parte do núcleo familiar. “Como podemos identificar? Quando falamos de abuso, no núcleo familiar, todos precisamos estar atentos aos sinais e denunciar. Um dos principais fatores é a mudança de hábito, o isolamento social, criança gosta de brincar, correr, se ela não dorme direito, fica inquieta... na questão alimentar, pode provocar bulimia ou anorexia, crises de choro, comportamentos sexuais na questão de estar envergonhada, desenhar ou incitar atos, traumas físicos no corpo da criança, sangramento, tudo isso faz parte dos sintomas”, explicou ela.

Jamile também afirmou que alguns sinais podem ser percebidos através do psicológico da criança. “Outra parte importante são as doenças provocadas psicologicamente, quando tem dor de cabeça, vomito, febre, diarreia e que não há um diagnóstico preciso, isso pode ser no rendimento escolar, a frequência cai, é necessário ficar atento a retrocessos daquilo que ele era, o diagnóstico só pode realmente ser feito com um especialista da área para saber se houve alguma lesão ou outro problema”, afirmou.

A psicanalista também frisou a questão da abordagem familiar do tema sexualidade. Segundo ela, a falta, pode contribuir para que os abusos aconteçam. “Dentro dessas questão cultural nossa, aprendemos desde pequenos que é um tabu, que é crime, é um assunto que deveríamos falar desde pequenos, é importante conversar com a criança dentro do linguajar dele, sobre a diferença do sexo, aonde pode ser tocado, aonde não pode, a valorização da autoestima da criança, ela é de fundamental importância para evitar estes abusos”, contou.

Ela também explicou como deve ser explicado para a criança, a questão de partes que podem ou não ser tocadas e como deve acontecer a comunicação entre pais e filhos. “No início, não tínhamos muito material, hoje temos livros que falam disso, nestes dias por conta da repercussão da menina, criaram um semáforo, que indicava em desenhos sinalizando onde pode ou não pode tocar, os pais precisam pedir aos filhos que se forem tocados que falem com eles, e ali você abre um diálogo falando sobre esta temática, pois esta criança quando é tocada , ela se sente desconfortável, quando há uma estimulação ela vai perceber que é algo diferente, então é importante abrir este diálogo dentro de casa”, afirmou.

Jamile ainda disse que as escolas têm uma participação muito importante na educação sexual das crianças. “A professora tem uma oportunidade única para um individuo que vai mostrando  o seu mundo particular, quando ela traz essa forma lúdica, que as professoras têm no mundo infantil, ela abre espaços e a criança vai falar, o professor vai identificar mais fácil, ali é um processo de conversar, abrir diálogo, chamar familiares, quando o professor está em sala e abre esta discussão, ele abre o campo da sexualidade, eles vão rir, mas muitos vão se identificar, compreender e perceber que podem contar com o professor para falar aquilo que dentro de casa é um tabu. A escola tem um papel fundamental”, concluiu.

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