Programa De Olho na Cidade

03/12/2019 - 17:44

Mestrandos da Uefs mapeiam as ruas de Feira de Santana em Libras

Feira de Santana

Buscando entender a maneira como a comunidade surda de Feira de Santana se relaciona e nomeia as ruas da cidade, os mestrandos do Programa de Pós- Graduação em Estudos Literários da Universidade Estadual de Feira de Santana (PPGEL/UEFS), Carlos Messias Alves e a professora do Departamento de Letras e Artes (DLA), Daniela Betânia dos Santos, defenderam as dissertações "Estudos Toponímicos dos bairros de Feira de Santana - Línguas Orais e Libras" e "Estudo toponímico do centro comercial de Feira de Santana-BA: línguas orais e Libras" sob a orientação da professora doutora Liliane Barreiros (DLA).

Os mestrandos analisaram a forma que a comunidade surda se relaciona com os locais da cidade levando em consideração os processos históricos e sociais da origem de Feira de Santana através do próprio convívio na comunidade. Nesse trabalho de campo, os pesquisadores descobriram que a comunidade surda tem seus próprios sinais para designar ruas, praças e logradouros públicos. Como exemplo, a avenida Senhor dos Passos recebe a alcunha de "Rua da Marisa", referindo-se a um estabelecimento comercial bastante conhecido.

Carlos Messias, que também é intérprete de Libras, ressaltou que conhecer e nomear os espaços em que vivemos proporciona a sensação de pertencimento, por isso a necessidade de entender como os surdos denominam os locais, já que essa relação também perpassa as questões de língua e cultura. A professora Daniela Betânia contou que decidiu se debruçar sobre a história da origem de Feira de Santana para contá-la para a comunidade surda e também para a comunidade ouvinte "isso contribui para sua formação e para sua identidade."

O projeto

As dissertações estão vinculadas ao projeto de pesquisa "Estudo bilíngue da toponímia de Feira de Santana-BA: Português-Libras" coordenado pela professora Liliane Barreiros. O projeto foi criado ano passado e tem o objetivo de levantar um banco de dados com informações a respeito dos locais físicos de Feira de Santana, em libras, para produzir materiais didáticos e, posteriormente, um aplicativo para orientar a população surda da cidade.

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