“Não é com violência que vamos resolver o crime”, diz governador sobre operação no Rio de Janeiro
O governador destacou ainda que, diante de tragédias como a que ocorreu no Rio, não deve haver divisão política.

O governador Jerônimo Rodrigues comentou nesta quarta-feira (29) a situação no Rio de Janeiro, após a operação policial que resultou em mais de cem mortes na Penha e no Alemão, na Zona Norte da capital fluminense. A ação, considerada a mais letal da história do estado, mobilizou cerca de 2.500 agentes das forças de segurança e resultou na morte de 103 suspeitos, além de quatro policiais. Foram presas 83 pessoas, com a apreensão de 111 fuzis, 38 granadas e a recuperação de 30 veículos roubados.
Durante entrevista, o governador lamentou a tragédia e afirmou que o enfrentamento ao crime organizado não pode se resumir a ações violentas.
“É um clima muito triste. Ver pessoas em situação de rua sendo baleadas, moradores sem poder sair de casa, é algo que nos causa muita dor. Não vamos resolver o problema da violência dessa forma. Precisamos investir em inteligência e em segurança pública de maneira estruturada”, declarou.
Ele defendeu a aprovação da PEC da Segurança Pública, que, segundo ele, criaria uma estrutura mais sólida e cooperativa entre os entes federativos.
“Se tivéssemos aprovada a PEC da segurança, teríamos mais condições de investimento em presídios, polícias Militar e Civil e um regramento mais claro sobre o papel da União e dos estados. Assim como o SUS, a segurança também precisa de um sistema nacional integrado”, afirmou.
O governador destacou ainda que, diante de tragédias como a que ocorreu no Rio, não deve haver divisão política.
“Neste momento, não existe oposição. É hora de união. Vi manifestações do ministro Rui Costa, do presidente Lula e do ministro Ricardo Lewandowski, todos empenhados em ajudar. O importante agora é estabilizar a situação e devolver a normalidade à vida dos cariocas”, pontuou.
Questionado sobre a participação de criminosos baianos na operação, ele afirmou que o governo do Estado acompanha o caso de perto.
“Desde o primeiro momento, o secretário Marcelo Werner tem me mantido informado. A inteligência da Bahia está monitorando a situação e colaborando com o Rio. Se há criminosos que saíram da Bahia, devem ser capturados e entregues à Justiça. Cometeu o crime, tem que pagar, sem passar a mão na cabeça de quem ameaça a segurança e a paz do país”, reforçou.
A operação no Rio de Janeiro continua em andamento. O Centro de Operações e Resiliência (COR-Rio) informou que todas as vias da cidade estão liberadas, mas o policiamento permanece reforçado na Zona Norte.
*Com informações do repórter André Silva






