Muito além dos exames: hematologia integrativa aposta no olhar completo para transformar a saúde
Hematologista destaca como a medicina integrativa alia ciência e hábitos de vida para prevenir e tratar doenças do sangue.

A hematologia, especialidade médica voltada ao diagnóstico e tratamento das doenças do sangue, vem ganhando uma nova abordagem com a chamada medicina integrativa. Em entrevista ao programa De Olho na Cidade da Rádio Sociedade News com Jorge Biancchi, a hematologista Dra. Erika Macedo explicou como essa visão amplia o cuidado com o paciente, indo além dos exames laboratoriais e considerando fatores como alimentação, sono e controle do estresse.
A médica destacou a importância do sangue para o funcionamento do organismo. “A hematologia é a especialidade que cuida das doenças do sangue e entender esse metabolismo sanguíneo vai influenciar no corpo por inteiro, porque o sangue é a base de tudo”, afirmou.
Segundo a especialista, a área abrange tanto doenças graves quanto condições mais comuns.
“Nós atendemos desde doenças oncológicas, como leucemias, linfomas e mieloma, até doenças benignas, como anemias e alterações no sistema imune, envolvendo leucócitos e plaquetas”, explicou. Ela também ressaltou que a hematologia atua na investigação de tromboses, trombofilias e até perdas fetais sem causa aparente.
Visão integrativa: tratar o paciente como um todo
A proposta da hematologia integrativa, conforme a médica, é enxergar o paciente de forma global, buscando as causas das alterações e não apenas tratando os sintomas.
“Na prática, é olhar que aquela alteração no exame não está isolada. A gente precisa avaliar o estilo de vida, alimentação, controle do estresse, sono e atividade física. Muitas vezes, o que aparece no sangue é consequência e não a causa do problema”, destacou.
Ela reforça que essa abordagem não substitui a medicina tradicional, mas atua de forma complementar.
“A medicina integrativa vem para somar, para integrar. É associar a medicina tradicional a outros pilares que vão ajudar o paciente a alcançar a cura ou o equilíbrio necessário”, disse.
Check-up e sintomas inespecíficos
A hematologista também alertou para a importância de procurar um especialista mesmo sem sintomas evidentes. Segundo ela, alterações discretas nos exames podem indicar problemas que passam despercebidos no dia a dia.
“Muitas vezes o paciente tem cansaço, fadiga, queda de cabelo, dificuldade nas atividades diárias ou alterações intestinais e não relaciona isso ao sangue, mas pode ter ligação direta”, explicou.
Ela acrescenta que até mesmo exames considerados “normais” podem esconder desequilíbrios.
“Quando avaliados por um especialista, conseguimos conectar essas alterações com o quadro clínico e orientar mudanças que fazem diferença na saúde do paciente”, afirmou.
Impactos do estresse na saúde sanguínea
Outro ponto destacado na entrevista foi a influência do estresse e da ansiedade nos exames e na imunidade.
“A ansiedade é uma das doenças mais prevalentes hoje, e o Brasil está entre os países com maiores índices. Isso impacta diretamente o organismo”, pontuou.
De acordo com a médica, o estresse pode provocar desde alterações laboratoriais até maior vulnerabilidade a infecções.
“Tem paciente que vive gripado, com infecções recorrentes, e não associa isso ao estilo de vida. O sono ruim, o estresse crônico e alterações hormonais afetam a imunidade”, disse.
Ela faz um alerta para os efeitos acumulativos desses fatores. “É como uma gota diária. Chega um momento em que o copo transborda e começam a surgir alterações mais importantes, que podem evoluir para problemas mais graves”, afirmou.
A prevenção, segundo Dra. Erika, é um dos principais pilares da abordagem integrativa. “Nunca se falou tanto em controle do estresse, alimentação saudável e qualidade do sono. Isso tem relação direta com o sangue e com a saúde como um todo”, reforçou.
A médica informou que atua com hematologia tradicional na Clínica AMO e que, a partir de abril, passará a atender com foco em medicina integrativa na clínica da ginecologista Dra. Fabiana Maia, no Edifício Premier, em Feira de Santana.
“Existe uma diferença na abordagem, e é importante que o paciente entenda isso ao buscar esse tipo de cuidado”, concluiu.







