Meu Bairro em Pauta destaca a força da percussão e o impacto social de Zé das Congas na Rua Nova
Percussionista feirense transforma talento em instrumento de inclusão, geração de renda e formação cultural de jovens

A quinta matéria da série “Meu Bairro em Pauta”, exibida no programa Cidade em Pauta, da Rádio Nordeste FM, traz à tona a trajetória inspiradora de José Pereira dos Santos, conhecido como Zé das Congas, um dos nomes mais representativos da percussão em Feira de Santana. Nascido em um bairro periférico, ele transformou dificuldades em oportunidade, construindo uma carreira marcada pela música, pela criatividade e pelo compromisso social.
Zé relembra que o primeiro contato com a música surgiu de forma simples, ainda na infância, utilizando objetos improvisados.
“A gente começa nas panelas, nas latas, os marceneiros falavam: ‘você tem dom’, mas eu não sabia disso ainda. Fui pegando gosto e cada dia mais tocando”, contou.
Com o tempo, o que era apenas uma brincadeira ganhou forma. Ele passou a tocar em escolas e a reunir outros jovens, até descobrir que aquilo era, de fato, a percussão. O apelido “Zé das Congas” surgiu quando começou a tocar profissionalmente.
“Comecei acertando umas congas na banda e aí veio o apelido. Deixei de ser só Zé e virei Zé das Congas”, explicou.
Ao longo da carreira, o percussionista integrou bandas e acompanhou artistas, além de investir no próprio trabalho autoral.
“Toquei com Dionorina, Márcia Porto, a banda Som Livre foi uma escola pra mim. Depois fui me profissionalizando até gravar meu primeiro CD, ‘Passeios na África’”, destacou.
Diante das dificuldades financeiras, Zé também encontrou uma alternativa criativa: fabricar os próprios instrumentos a partir de materiais recicláveis.
“Comecei a pegar coisas do lixo para fazer instrumentos. Fui vendendo aqui e ali e percebi que aquilo poderia virar uma fonte de renda”, relatou.

Projeto social transforma vidas
A atuação social surgiu de forma espontânea, a partir do interesse de um jovem em aprender percussão.
“Um menino me pediu aula, insistiu tanto que acabou me pagando. Depois trouxe outro amigo, aí eu pensei: não, isso precisa ser para todos”, lembrou.
Foi então que nasceu o projeto social Zé das Congas, com aulas gratuitas voltadas para crianças e jovens da comunidade.
“Decidi procurar apoio para dar aula gratuitamente. Toda criança e todo jovem que precisar, eu ensino”, afirmou.
O projeto ganhou força com parcerias e incentivos culturais, permitindo ampliar o alcance das ações.
“Quando consegui apoio e entrei em projetos como o Pró-Cultura e o BNDES, vi que poderia alcançar jovens fora de Feira, da Bahia e até do Brasil”, disse.
Além da música, o trabalho também incentiva a sustentabilidade e a criatividade, utilizando materiais recicláveis na produção de instrumentos.
“Nas escolas, a gente começou a usar tampinhas, materiais simples e os alunos foram criando seus próprios instrumentos”, completou.
Zé das Congas faz questão de destacar a importância da Rua Nova em sua formação artística. O bairro é reconhecido como um importante polo cultural da cidade, reunindo diversos nomes da música.
Segundo ele, a troca de experiências dentro da comunidade foi fundamental para fortalecer a cena musical local.
“Eu aprendi com os mestres e fui ensinando os jovens. É um intercâmbio que fortalece a cultura da percussão”, ressaltou.
Ao olhar para a própria trajetória, Zé reconhece o papel decisivo do bairro em sua história.
“A Rua Nova foi essencial. Eu cresci aqui, vendo tudo isso acontecer, e isso fez toda a diferença”, concluiu.
*Com informações do repórter JP Miranda






