Meu Bairro em Pauta: de fazenda sem água e luz a bairro estruturado em Feira de Santana
Moradora relembra dificuldades do passado, chegada da infraestrutura e transformação da comunidade ao longo das décadas

A mais recente matéria da série “Meu Bairro em Pauta”, exibida no programa Cidade em Pauta, da Rádio Nordeste FM, destaca o crescimento e a transformação da Rua Nova ao longo dos anos. A história é contada por quem viveu de perto essa evolução: a moradora Ecília de Lima Santos, de 92 anos.
Segundo ela, a realidade do bairro no início era marcada por muitas dificuldades. A antiga fazenda que deu origem à Rua Nova não contava com serviços básicos como energia elétrica, abastecimento de água ou pavimentação.
“Aqui não tinha luz, não tinha água, não tinha nada. Era tudo mato, um terreno abandonado”, relembrou.

A escassez de água era um dos maiores desafios enfrentados pelos moradores, que precisavam percorrer longas distâncias para conseguir o mínimo necessário para o dia a dia.
“Eu saía quatro horas da manhã pra buscar uma lata d’água na cabeça. Era pra beber por dois, três dias. Era muito difícil”, contou.
Ela também descreve a rotina de filas e organização para conseguir água, muitas vezes com apoio de autoridades locais.
“A gente ficava na fila esperando, só podia pegar quando eles autorizavam. Era uma luta”, disse.
A chegada da energia elétrica e do sistema de abastecimento de água foi um marco para a comunidade, celebrada com festa pelos moradores.
“A inauguração da luz foi linda. Fizeram um corredor cheio de palmeiras. Foi uma alegria grande pra todo mundo”, recordou.
Com o passar dos anos, a Rua Nova começou a receber obras de infraestrutura, como calçamento e rede de esgoto, o que melhorou significativamente a qualidade de vida da população.
“Depois calçaram as ruas, botaram esgoto. Aqui teve esgoto antes de muitos lugares da cidade”, afirmou.
Apesar dos avanços, Ecília também relembra desafios relacionados à segurança e à falta de organização urbana no passado. Segundo ela, a região era vista como perigosa e de difícil acesso.
“Era muito perigoso. Era só mato, estrada ruim. Tinha lugar que carro não entrava. Quando dizia que era pra vir pra cá, ninguém queria”, contou.
Outro ponto marcante na memória da moradora é a existência de pedreiras na região, que posteriormente foram aterradas, modificando a paisagem local.
“Tinha pedreira aqui e em outras partes. Depois foram aterrando, jogando lixo, e isso foi mudando tudo”, relatou.
Mesmo diante das dificuldades enfrentadas no passado, Ecília reconhece a transformação da Rua Nova ao longo dos anos e se orgulha do que o bairro se tornou.
“Hoje está uma beleza. Mudou muito. Quem viu como era antes sabe o quanto melhorou”, concluiu.
*Com informações do repórter JP Miranda







