Mercado imobiliário se mostra estratégico para investidores em 2026, avalia especialista
Especialista explica por que a fase de recuperação do setor favorece quem busca segurança e valorização patrimonial a longo prazo.
12/01/2026 06h34
Após mais de uma década marcada por oscilações e baixo crescimento, o mercado imobiliário brasileiro vive um momento considerado estratégico para investimentos. Segundo o especialista Humberto Mascarenhas, entrevistado no programa Cidade Pauta, o setor atravessa uma fase de recuperação que abre boas oportunidades, especialmente para quem pensa a médio e longo prazo.
De acordo com ele, a atual valorização registrada está entre as maiores dos últimos anos.
“Se a gente pegar os últimos dez anos, essa foi a segunda maior alta. A última grande alta expressiva foi lá em 2013. De lá pra cá, o mercado ficou muito tempo ocioso, crescendo pouco, muito por conta dos problemas que o Brasil enfrentou entre 2015 e 2018”, explicou.
O crescimento registrado recentemente, segundo o especialista, gira em torno de 15% a 20%, o que confirma o aquecimento do setor. Ainda assim, Humberto alerta que o cenário exige cautela por parte do investidor.
“O único momento que não é interessante para investir é quando o mercado está em alta. Agora estamos em um momento de recuperação, que é excelente para investir. Quando todo mundo diz ‘o mercado está bombando’, esse momento já não é tão atrativo para quem pensa a longo prazo.”
Entre os fatores que fortalecem o mercado imobiliário brasileiro no longo prazo, Humberto destacou o crescimento populacional e o perfil do Brasil como país emergente.
“Os países emergentes atraem muito mais investimentos do que os países ricos. Aqui existe uma população que está saindo de uma classe social mais baixa e tende a ascender. Além disso, enquanto nos países desenvolvidos a população vem diminuindo, no Brasil ela continua crescendo, o que favorece diretamente o mercado imobiliário.”
Para o especialista, o mercado imobiliário brasileiro hoje é mais seguro e maduro do que no passado, principalmente por conta de avanços legais.
“Dois fatores foram fundamentais: a alienação fiduciária, que destravou o crédito no Brasil, e o patrimônio de afetação, que trouxe segurança ao investidor.”
Ele relembrou problemas enfrentados no passado com obras abandonadas.
“Na década de 90, muitas pessoas ficaram no prejuízo. Hoje, com o patrimônio de afetação, o dinheiro investido não pode ser desviado para outro empreendimento, garantindo que o imóvel comprado na planta seja entregue.”
Sobre a estratégia de investimento, Humberto reforça que tudo depende do perfil do investidor, mas defende a visão de longo prazo.
“Quem investe há vinte ou trinta anos tem ganhos muito maiores do que quem investe há três ou cinco. Imóvel é um ativo seguro, e no longo prazo os ganhos são sempre altos.”
Ele também fez um alerta sobre promessas de enriquecimento rápido.
“Essas promessas de ficar rico em pouco tempo envolvem alto risco. Imóvel não é isso. É investimento para quem quer segurança e constância.”
Entre os principais erros, o especialista citou a compra por impulso.
“Muita gente compra porque viu o amigo ou o vizinho comprando. Não pesquisa, não analisa a sustentabilidade do empreendimento e depois reclama que o retorno não foi satisfatório.”
Humberto destacou que localização, finalidade do imóvel e orientação profissional são decisivos.
“O mercado imobiliário exige profissionalismo. Não dá pra investir pensando só no curto prazo.”
Para 2026, o especialista avalia que o cenário é mais indicado para quem busca valorização patrimonial.
“Esse crescimento que tivemos é pequeno perto do que vem pela frente. Quem investe durante a recuperação tende a ter ganhos fortes mais adiante.”
Ainda assim, ele destacou a importância da renda passiva.
“O rendimento passivo é o que sustenta a liberdade financeira quando a disposição para o trabalho diminui.”
Questionado sobre qual segmento apostar, Humberto aponta vantagens e riscos em ambos.
“O imóvel comercial tende a dar um retorno maior, mas exige mais cautela. Em momentos de crise, o comércio sofre mais. Já o residencial é mais estável, porque as pessoas sempre precisam morar.”
Para investidores iniciantes, o conselho é claro:
“Comece pelo residencial e vá estudando o comercial com o tempo. Assim, você ganha experiência e reduz riscos.”
Humberto reforçou o que considera o maior diferencial do setor.
“Você não encontra ninguém que tenha investido todo o patrimônio em imóveis há trinta anos e perdido tudo. Isso é blindagem patrimonial. Investir em imóveis é proteger o seu patrimônio.”