Hora do Empreendedorismo

Mercado de combustíveis enfrenta escassez de mão de obra e desafios regulatórios, alerta empresário

Empresário analisa os principais gargalos do setor, defende o etanol, fala sobre tecnologia e destaca a importância do propósito nos negócios

31/01/2026 07h15
Mercado de combustíveis enfrenta escassez de mão de obra e desafios regulatórios, alerta empresário

O quadro Hora do Empreendedorismo recebeu o empresário Manoel Torres, da Rede Menor Preço, para um amplo debate sobre os desafios e oportunidades do mercado, com foco em Feira de Santana, Bahia e no cenário nacional. A entrevista também abordou temas como liderança, propósito empresarial, tecnologia, inteligência artificial e o futuro das matrizes energéticas.

Manoel destacou a importância da comunicação do setor com a sociedade.

“É uma honra estar aqui. Nosso ramo fala pouco, se comunica pouco, e isso precisa mudar. A falta de informação gera muitos conflitos desnecessários, inclusive com o consumidor”, afirmou.

Segundo ele, o cliente de combustíveis ainda é, em grande parte, desinformado sobre legislação e funcionamento do setor.

“O consumidor hoje se encontra desinformado. Nas nossas redes sociais a gente busca justamente levar esse tipo de esclarecimento”, disse.

Ao falar sobre os desafios atuais do mercado de combustíveis, Manoel apontou a escassez de mão de obra qualificada como o principal obstáculo.

“Esse não é um problema só do nosso ramo, mas de quase todos hoje no Brasil. Está cada vez mais difícil contratar pessoas que queiram seguir carreira”, avaliou.

Ele ressaltou que o setor oferece oportunidades reais de crescimento profissional.

“É uma carreira magnífica. Você pode começar como frentista e virar gerente, supervisor, até dono do próprio negócio. Meu pai é um exemplo disso.”

Manoel lembrou a trajetória de Osmar Torres, fundador da Rede Menor Preço.

“Ele começou no operacional, como frentista, e hoje é um grande empresário. É o meu maior mentor.”

Atualmente, a rede conta com 78 postos, sendo cerca de 15 em Feira de Santana, além de unidades em Salvador, Camaçari, Lauro de Freitas, Alagoinhas Itaberaba, Santo Estêvão, e outras cidades da Bahia e Sergipe.

Questionado sobre a possibilidade de autoatendimento, como já ocorre em outros países, Manoel foi direto:

“Hoje isso não é viável no Brasil. Somos reféns da legislação. Mesmo que uma mudança seja positiva, a gente não pode avançar além do que a lei permite.”

Para ele, a automação pode até acontecer no futuro, mas não no curto prazo.

“É totalmente possível, mas vai levar tempo. No cenário atual, não enxergamos essa mudança como viável.”

Sobre os carros elétricos, Manoel avalia que eles ainda não representam uma ameaça imediata ao mercado de combustíveis.

“Os carros elétricos não são tão duráveis quanto os de combustão. A troca de bateria é cara e, muitas vezes, o consumidor prefere comprar um carro novo.”

Ele também explicou os custos ambientais e produtivos envolvidos.

“Para produzir baterias, é preciso extrair lítio e outros metais, o que degrada o meio ambiente e encarece muito o processo.”

Segundo ele, o petróleo segue sendo uma fonte mais acessível.

“O petróleo vale muito justamente porque é acessível. O custo de extração e refino ainda é menor do que o de outras matrizes.”

Manoel criticou a falta de incentivo ao etanol, um combustível sustentável no qual o Brasil é referência mundial.

“O Brasil é o maior e o melhor produtor de etanol do mundo, mas não fomenta isso como deveria.”

Na visão do empresário, o país tem pouca força no cenário global.

“O Brasil ainda é um país de terceiro mundo em termos de influência. Não tem a mesma voz que Estados Unidos ou União Europeia.”

Além do setor de combustíveis, Manoel compartilhou sua visão sobre liderança e sucesso empresarial.

“O grande segredo dos negócios não é ser especialista, mas saber conectar as pessoas certas.”

Ele criticou o modelo tradicional de ensino.

“A escola ensina que você precisa ser diplomado para ter sucesso, mas no mundo dos negócios isso não é regra.”

Para ele, o sucesso vem da capacidade de gerar soluções.

“Uma empresa cresce quando resolve problemas reais das pessoas.”

Sobre propósito, foi enfático: “Muitos empresários dizem que o propósito é pagar contas. Isso não é motivador. Quando o dinheiro chega, o vazio aparece.”

Segundo Manoel, empresas com propósito claro têm equipes mais engajadas.

“Quando todos entram na mesma sinergia, o trabalho muda completamente.”

O empresário também falou sobre o impacto da tecnologia e da inteligência artificial.

“A tecnologia é uma ferramenta. Pode ajudar muito quem sabe usar, mas pode virar bengala para quem depende demais.”

Ele alertou sobre o uso consciente.

“Tem gente que usa para crescer e tem gente que só consome. A maioria paga, poucos ganham.”

Manoel deixou um recado direto para quem sonha em empreender: “Comece agora. Não deixe para depois. O depois não existe.” E completou: “A sua vida depende de você, não dos outros. Começar pequeno ou grande depende do quanto você aguenta a queda.”

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