Março Azul: especialista alerta para aumento de câncer colorretal entre jovens
Campanha reforça autocuidado, alerta para sintomas silenciosos e incentiva realização de exames preventivos

O câncer colorretal tem se consolidado como um dos principais desafios de saúde pública no Brasil e no mundo. A campanha Março Azul, dedicada à conscientização sobre a doença, ganha ainda mais relevância diante do aumento de casos diagnosticados em adultos mais jovens, especialmente na faixa entre 30 e 45 anos.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), para cada ano do triênio 2023/2025, o país diagnosticou quase 46 mil novos casos de câncer colorretal, sendo 21.970 em homens e 23.660 em mulheres. A doença é a segunda mais comum no Brasil, atrás apenas dos cânceres de mama (73.610 casos) e de próstata (71.730 casos), quando excluído o câncer de pele
Em entrevista ao programa Jornal do Meio Dia da Rádio Princesa FM, o gastroendoscopista Dr. Fábio Teixeira destacou a importância da campanha Março Azul, voltada à conscientização e prevenção do câncer colorretal. O médico ressaltou o significado da campanha e o papel da mobilização.

“O mês Março Azul é a consciência, é o chamado. É quando unimos várias especialidades em prol de chamar o paciente para o autocuidado”, afirmou. Segundo ele, a iniciativa busca alertar a população para a necessidade de prevenção ao longo de todo o ano.
O especialista explicou que o câncer colorretal atinge o intestino grosso e o reto, parte final do sistema digestivo, e tem apresentado crescimento entre pessoas mais jovens.
“O que temos observado é que está cada vez mais presente na população mais jovem. Então, é hora de praticar o autocuidado pensando no futuro”, alertou.
Entre os principais fatores de risco, Dr. Fábio destacou tanto a predisposição genética quanto os hábitos de vida modernos.
“O câncer de intestino está diretamente relacionado a fatores genéticos, mas também ao estilo de vida. Hoje temos uma população mais sedentária, com maior consumo de alimentos ultraprocessados, álcool e cigarro”, explicou.
Ele defendeu mudanças simples no dia a dia como forma de prevenção. “Vamos abrir menos caixas e descascar mais. Buscar alimentos mais naturais, praticar atividade física, ingerir mais fibras e água. Combater a obesidade é um dos pilares dessa prevenção”, orientou.
O médico também chamou atenção para a antecipação da idade recomendada para o rastreamento.
“Hoje, a recomendação é que pessoas sem sintomas comecem a investigação a partir dos 45 anos. Antes falávamos em 50 ou até 60, mas isso mudou devido ao aumento de casos em jovens”, destacou.
Para quem possui histórico familiar, o cuidado deve começar ainda mais cedo. “Se houve caso na família, o ideal é iniciar o acompanhamento cerca de dez anos antes da idade em que o parente foi diagnosticado”, acrescentou.
Apesar de ser considerado um câncer silencioso, alguns sinais podem indicar a necessidade de investigação.
“Mudança no hábito intestinal, fezes mais finas, presença de sangue, dor abdominal persistente, perda de peso inexplicada e anemia são sinais de alerta”, explicou.
Ele reforçou que, muitas vezes, quando os sintomas aparecem, a doença já pode estar em estágio mais avançado. “Por isso, o rastreamento é fundamental. Não podemos esperar os sinais para agir”, disse.
Entre os exames disponíveis, o médico citou a pesquisa de sangue oculto nas fezes como um método inicial. No entanto, destacou a colonoscopia como principal ferramenta.
“A colonoscopia é o exame padrão-ouro. Com ela, conseguimos identificar e retirar pólipos, que são lesões precursoras do câncer”, afirmou.
Segundo o especialista, a prevenção pode ser altamente eficaz. “Em até 90% dos casos, conseguimos evitar o câncer quando identificamos e retiramos essas lesões precocemente”, pontuou.
Dr. Fábio também abordou o receio de muitos pacientes, especialmente homens, em realizar a colonoscopia.
“Existe medo, principalmente em relação ao preparo. Mas hoje temos equipes especializadas que acompanham todo o processo, com segurança e conforto”, garantiu.
O médico também falou sobre sua trajetória e o compromisso com a humanização no atendimento.
“A medicina, para mim, é um ato de amor. É um compromisso social. Levar informação como estamos fazendo aqui é uma forma de cuidar das pessoas”, afirmou.
Ele destacou ainda o trabalho coletivo desenvolvido em sua clínica. “Não é uma história feita por mim, mas por toda uma equipe que acredita no acolhimento e no cuidado humanizado”, completou.
O especialista reforçou o principal recado da campanha. “Prevenir é um ato de amor. Precisamos cuidar da alimentação, praticar atividade física e buscar orientação médica no momento certo. O câncer colorretal pode ser prevenido e combatido com informação e atitude”, concluiu.






