Março Mulher

Lúcia Gutemberg e a luta pelos direitos das mulheres e dos agentes de saúde

A trajetória de Lúcia Gutemberg é um exemplo de resistência, coragem e dedicação.

01/04/2025 09h49
Lúcia Gutemberg e a luta pelos direitos das mulheres e dos agentes de saúde

O mês da mulher se encerra com uma história inspiradora de superação e dedicação ao serviço público. Lúcia Gutemberg, vice-presidente do Sindicato dos Agentes Comunitários de Saúde de Feira de Santana, compartilhou sua jornada de luta pessoal e profissional na defesa da categoria e das mulheres no Sistema Único de Saúde (SUS)

Antes de se tornar agente comunitária de saúde, Lúcia enfrentou 12 anos de abuso doméstico.

“Quando eu não aguentava mais, Deus colocou no meu caminho a oportunidade de me inscrever no programa de agente comunitário de saúde. Eu sempre sonhei em ser professora, mas nem sabia exatamente o que era ser agente comunitária”, relatou.

Na época, a decisão de ingressar na carreira foi enfrentada com resistência dentro de casa.

“Meu marido não queria que eu trabalhasse, queria que eu ficasse em casa cuidando dos filhos. Chegou a me dizer: ‘Você é burra, não vai para lugar nenhum, mas sabe pilotar um fogão’. Chorei muito, mas mesmo assim fiz a prova. Quando vi que passei, foi um recomeço de vida.”

A luta pela categoria

Ao longo de sua trajetória, Lúcia se tornou uma das principais lideranças na defesa dos direitos dos agentes comunitários de saúde.

“Nos juntamos, acreditamos e conseguimos avançar. Hoje estamos na quarta lei que alterou a Constituição e conquistamos o reconhecimento enquanto profissionais de saúde.”

A categoria, formada majoritariamente por mulheres, teve conquistas importantes.

“Primeiro fomos reconhecidos como profissionais de saúde, depois conseguimos a lei 11.350, que regulamentou nossa profissão. Hoje temos um piso salarial e direitos garantidos, mas seguimos lutando pela aposentadoria especial, que precisa ser regulamentada.”

Mulheres e empoderamento

Lúcia também destaca a importância da autoafirmação para as mulheres. “Muitas ainda são prisioneiras dentro de suas próprias casas, sem grades, mas sem coragem de sair. Eu mesma cheguei a acreditar que estava louca e fui sozinha me internar em uma colônia psiquiátrica. Mas uma psiquiatra me deu um livro, e ali começou minha transformação.”

Com 33 anos de serviço, ela se orgulha do caminho trilhado e do impacto gerado na vida de tantas outras mulheres.

“Nós, mulheres, precisamos lutar para nos respeitar e sermos respeitadas, defendo o direito das mulheres de terem qualidade de vida e reconhecimento.”

O legado e os desafios

Para Lúcia, a luta não se encerra com sua aposentadoria. “Ainda há muito a ser feito, e eu espero que as mulheres continuem acreditando e buscando seu espaço. Nos organizamos sem nunca quebrar uma vidraça, sempre com sabedoria e respeito, e assim conquistamos tanto.”

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