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Liderança feminina e os desafios da equidade: Rose Dayse Aquino fala sobre sua trajetória e o papel das mulheres

A trajetória de Rosie Dayse Aquino reforça a importância da representação feminina em posições estratégicas e mostra que a equidade de gênero é um caminho possível e necessário

31/03/2025 16h02
Liderança feminina e os desafios da equidade: Rose Dayse Aquino fala sobre sua trajetória e o papel das mulheres

Com 20 anos de experiência em liderança de pessoas, Rosie Dayse Aquino, superintendente executiva de varejo da Caixa Econômica Federal, destaca-se pelo compromisso com a excelência e pelo fortalecimento do setor varejista. Formada em Ciências Contábeis pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), com pós-graduação em Marketing Estratégico pela UNIFACS e NBA em oratória, ela compartilhou sua visão sobre os desafios da liderança feminina no Brasil.

Para Rosie, a cultura ainda é um dos principais desafios enfrentados pelas mulheres que buscam espaços de liderança.

“Hoje a gente vem alcançando cada vez mais espaço e conquistando isso com muita luta ao longo dos anos, mas ainda temos uma cultura machista. Especialmente para cargos de liderança estratégicos, onde a maioria ainda é ocupada por homens. Estamos caminhando a passos largos, e nossa visão é otimista”, pontuou.

Ela ressalta que muitas vezes persiste a crença de que o homem tem mais coragem ou aptidão para a análise de dados e tomada de decisão.

“Durante muito tempo, o acesso à educação e à cultura já não foi dado à mulher da mesma forma que ao homem. Mas estamos mostrando que podemos estar onde quisermos, que temos talentos, habilidades e que podemos exercer qualquer papel na sociedade”.

A presença feminina nos cargos estratégicos

Quando questionada sobre as vantagens de ter mulheres em cargos estratégicos, Rosie Dayse destacou algumas competências que fazem a diferença no ambiente corporativo.

“Nós, mulheres, temos um olhar mais sensível para lidar com os diversos perfis humanos, o que é essencial para liderar. Além disso, nossa atenção aos detalhes permite uma análise mais apurada dos dados. E ainda somos multidisciplinares por natureza. A mulher é mãe, é líder, faz gestão, cuida da casa e dos filhos. Esse dom de servir e cuidar complementa muito a visão feminina”, explicou.

No entanto, ela enfatizou a importância da diversidade nos times de liderança. “Uma equipe mista é o melhor dos mundos. Homens e mulheres se complementam em comportamento, habilidades e afinidades”.

Rosie acredita que uma das principais estratégias para promover a equidade é o incentivo e a confiança no potencial feminino.

“No dia a dia, eu tenho sempre o olhar de identificar o potencial de cada mulher e mostrar que elas são capazes. Nos processos seletivos, percebo que os homens se candidatam mais facilmente a cargos de liderança, mesmo sem estarem cem por cento preparados. As mulheres, por outro lado, só se jogam quando se sentem totalmente prontas. Precisamos mudar isso. A liderança não tem relação com gênero, e sim com potencial e habilidades”, afirmou.

A trajetória de Rosie Dayse na Caixa

Ingressando na Caixa em 2000 como técnica bancária, Rosie Dayse teve uma mentora que a incentivou a seguir na carreira de liderança.

“Tive uma líder feminina que me abraçou, a Regina, que identificou meu potencial e me estimulou a crescer na Caixa. Comecei como gerente de atendimento em Alagoinhas, gerenciando uma equipe grande, com pessoas mais velhas que eu. Muitos duvidaram, mas conquistei a confiança deles com empatia e dedicação”, relembrou.

Desde então, passou por diversas funções de liderança até se tornar a primeira superintendente executiva de varejo da Caixa no interior da Bahia, cargo que ocupa atualmente em Feira de Santana.

“Hoje, cuido de doze agências na região, e continuo investindo no meu crescimento e na inspiração de outras mulheres”.

Liderança se aprende ou nasce com a pessoa?

Para Rosie, a liderança pode ser nata, mas também pode ser desenvolvida. “Qualquer pessoa pode se tornar um líder, desde que queira e busque. Existem muitos recursos como livros, cursos e mentorias. Quando já se tem um dom natural, o caminho é mais fácil. Mas a liderança é algo que se aprimora ao longo da carreira”.

Para as mulheres que desejam fortalecer suas habilidades de liderança, Rosie enfatiza a importância do autoconhecimento e do propósito.

“A liderança está muito ligada à inteligência emocional. Precisamos nos conhecer, entender nossos talentos e nos posicionar onde queremos estar. Quando encontramos nosso propósito, o caminho se torna mais claro e a liderança flui naturalmente”, aconselhou.

A desigualdade salarial entre homens e mulheres

Sobre a desigualdade salarial entre homens e mulheres no Brasil, Rosie reconhece que a questão precisa ser tratada com seriedade.

“No meu caso, dentro da Caixa, essa diferença não existe. Mas ainda vemos essa realidade no nosso país. É uma questão que precisa ser mudada com ações concretas do governo e das empresas”.

Para ela, a desigualdade vai além do financeiro. “Temos o salário intelectual e o emocional. Mulheres muitas vezes acumulam funções e responsabilidades, sem o devido reconhecimento. Precisamos avançar para garantir que todas tenham as mesmas oportunidades”, concluiu.

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