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Jornalista feirense nos EUA relata divisão e temor econômico após início de nova ofensiva militar no Irã

Pesquisa aponta apoio minoritário à ofensiva, enquanto mortes de soldados aumentam pressão interna

02/03/2026 16h08
Jornalista feirense nos EUA relata divisão e temor econômico após início de nova ofensiva militar no Irã
Foto: Amir Kholousi/AP

A nova ofensiva militar liderada pelo presidente Donald Trump contra o Irã já provoca forte repercussão dentro dos Estados Unidos. O conflito, iniciado após ataques coordenados com Israel, deixou mortos dos dois lados e levou o país a um novo cenário de tensão internacional, com reflexos diretos na política interna, na economia e na opinião pública.

Direto dos Estados Unidos, a jornalista feirense Brenda Victória, que reside no país, detalhou ao programa Jornal do Meio Dia, da Princesa FM, como a guerra está sendo recebida em solo americano.

“Esse conflito não está sendo visto como algo distante, lá no Oriente Médio. Ele já está sendo encarado como algo que impacta diretamente a vida cotidiana dos norte-americanos”, afirmou.

Segundo Brenda, pesquisas divulgadas nas últimas 48 horas por institutos como a Reuters indicam que apenas cerca de um quarto da população apoia os ataques. Uma parcela maior desaprova a ação ou ainda se declara indecisa.

“Esse número é significativo porque mostra que o país não entrou nessa guerra com consenso nacional forte. Existe uma divisão muito clara e um sentimento de incerteza”, explicou.

Ela destaca três principais preocupações da população:

  1. A possibilidade de escalada para uma guerra prolongada;
  2. O risco para soldados americanos;
  3. O impacto econômico, especialmente no preço dos combustíveis e no custo de vida.

“Muitos americanos ainda têm na memória as longas intervenções no Iraque e no Afeganistão e temem entrar em mais um conflito sem duração definida”, pontuou.

Além da divisão popular, o conflito abriu um embate político em Washington. Parlamentares questionam o fato de a ofensiva ter sido ordenada pelo Executivo sem autorização formal do Congresso, como prevê a Constituição americana em caso de declaração de guerra.

“Isso deixou de ser apenas uma discussão de política externa e virou um debate constitucional sobre os limites do poder presidencial”, explicou Brenda.

Alguns congressistas já apresentaram resoluções exigindo autorização formal para a continuidade das operações militares e até a limitação de recursos para novas ações.

“Mesmo dentro do partido do presidente existem vozes divergentes. Uns defendem firmeza militar. Outros alertam para os custos políticos e humanos de uma escalada”, relatou.

O clima ficou ainda mais sensível após o Pentágono confirmar a morte de três militares americanos e ferimentos em outros soldados.

“Aqui o patriotismo é muito forte, mas a população não se acostuma com a morte de soldados americanos. Quando há baixas, a guerra deixa de ser uma estratégia geopolítica e passa a ser algo concreto, humano”, afirmou.

Brenda mora próxima a uma base militar e relata apreensão entre famílias.

“As famílias começam a se desesperar sem saber se seus parentes vão sair de casa e voltar. Isso muda completamente o tom da discussão.”

Desde o início dos ataques, cidades como Nova York, Chicago e Atlanta registraram manifestações contra a guerra, embora sem grandes multidões.

“São protestos organizados por grupos pacifistas e ativistas. Também existem manifestações menores de apoio à ação militar, organizadas por grupos que defendem uma política externa mais assertiva”, explicou.

A comunidade iraniana nos Estados Unidos também se mostra dividida, parte defende pressão contra o regime do Irã; outra teme agravamento do sofrimento civil.

A guerra também começou a gerar efeitos econômicos. O temor é que a instabilidade no Oriente Médio pressione o mercado de energia e a inflação.

“Hoje já se fala que o preço da gasolina deve ultrapassar os três dólares por galão. Na semana passada estava em 2,85. Aqui o preço do combustível costuma ser mais estável que no Brasil, então qualquer alta gera preocupação imediata”, destacou.

O FBI também reforçou a vigilância preventiva para monitorar possíveis riscos internos.

Com os Estados Unidos participando diretamente do conflito e a poucos meses da Copa do Mundo, surgem questionamentos sobre possíveis impactos no evento internacional.

“A FIFA tem uma política de não sediar Copa em países que estejam participando de guerras. Ainda é cedo para conclusões, mas já existe essa preocupação”, disse Brenda.

Para a jornalista, o momento pode ser resumido em duas palavras.

“O sentimento predominante aqui é divisão e incerteza. Não existe apoio massivo. Existe preocupação com a escalada militar, com as baixas americanas e com o impacto econômico.”

Ela conclui que o conflito externo está ampliando tensões internas já existentes no país.

“Os Estados Unidos já vivem um momento de forte polarização política. Essa guerra pode aprofundar ainda mais essas divisões e ter efeitos duradouros sobre o debate nacional.”

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