Investimentos para 2026: especialista aponta caminhos mais seguros diante de juros altos, dólar em queda e cenário eleitoral
Como investir melhor em meio às incertezas do mercado

Com o mercado financeiro já se movimentando para 2026, investidores acompanham um cenário marcado por oscilações do dólar, volatilidade de ativos como Bitcoin e ouro, além da expectativa de queda da taxa Selic. Para ajudar quem busca investir com mais segurança e sem perder o sono, o Jornal do Meio Dia, da Princesa FM, conversou com Leandro Fabian, assessor de investimentos da Invest Smart XP, em Feira de Santana.
Leandro chamou atenção para a velocidade com que o mercado antecipa movimentos econômicos.
“É impossível falar de 2026 sem falar de 2025. O mercado sempre se antecipa. A gente já está em fevereiro e o ano passa voando”, afirmou.
Segundo o especialista, há uma expectativa de corte gradual da Selic ao longo do ano, possivelmente já a partir da reunião do Copom em março.
“Existe uma projeção de corte de 0,25 ponto percentual. Alguns falam em 0,50, mas acredito em algo mais gradual”, explicou.
Enquanto a taxa de juros segue elevada, a renda fixa continua sendo atrativa.
“Juros altos significam rentabilidade maior na renda fixa. Muita gente conseguiu investimentos pagando 14%, 15% ao ano. Isso atraiu muito o investidor pessoa física”, destacou.
Leandro lembrou que o planejamento varia conforme o perfil do investidor.
“Pessoa física olha muito mais para o longo prazo. Já pessoa jurídica exige outro tipo de estratégia. Cada caso precisa de uma análise específica.”
Com a perspectiva de queda da Selic, a Bolsa de Valores brasileira reagiu positivamente, especialmente a partir do segundo semestre do ano passado.
“A Bolsa fechou o ano passado com alta de cerca de 30%. Em janeiro e fevereiro, segue em trajetória de alta”, pontuou.
Sobre o momento de investir em renda variável, o especialista fez um alerta:
“Se você tem perfil agressivo e visão de longo prazo, sim, é um momento interessante, mas de forma contida. A renda variável é mais volátil, muda de preço todos os dias.”
Mesmo com diversas opções mais rentáveis, a poupança ainda concentra um volume expressivo de recursos no país.
“Hoje temos cerca de um trilhão de reais aplicados na poupança. É muito dinheiro rendendo pouco”, afirmou.
Leandro comparou o rendimento da poupança com alternativas mais modernas e seguras.
“A poupança rende cerca de 0,5% ao mês. Hoje você tem títulos do Tesouro que rendem mais de 1% ao mês, com segurança semelhante.”
Ao comentar a recente queda do dólar, Leandro esclareceu que o movimento tem origem externa.
“Não é por mérito do Brasil. O dólar está caindo porque a moeda americana se enfraqueceu no mundo, com expectativa de corte de juros nos Estados Unidos.”
Esse cenário, segundo ele, favorece mercados emergentes.
“O investidor internacional começa a procurar países como Brasil, México e Turquia. Isso fortalece nossa Bolsa e ajuda a controlar a inflação.”
Leandro reforçou que investir fora do país deixou de ser algo complicado.
“Hoje qualquer investidor brasileiro consegue investir no exterior direto pelo aplicativo, convertendo real em dólar, comprando ações, fundos e até títulos da dívida americana.”
Ele destacou a importância da diversificação.
“No Brasil temos cerca de 300 empresas listadas. Nos Estados Unidos são mais de 5 mil. Dá para investir em inteligência artificial, carros autônomos e computação quântica.”
Sobre o ouro, Leandro explicou que a recente queda ocorreu após um período de forte valorização.
“O ouro é um porto seguro. Quando bateu o maior nível histórico, foi natural acontecer uma realização de lucro.”
No caso do Bitcoin, a volatilidade segue sendo uma característica do ativo.
“Quedas de 25% ou 30% são normais. O problema é investir sem saber o próprio perfil. Quem entende isso não perde o sono.”
Segundo ele, grandes instituições passaram a investir em criptomoedas nos últimos anos.
“O Bitcoin é um ativo limitado, como o ouro. No médio e longo prazo, tende a se valorizar, desde que esteja na proporção correta da carteira.”
Leandro destacou que o cenário político influencia diretamente o mercado financeiro.
“Historicamente, a Bolsa começa a reagir cerca de seis meses antes das eleições, mas esse ano a volatilidade começou bem antes.”
Ele explicou que governos com maior controle fiscal tendem a gerar mais confiança no mercado.
“A taxa de juros hoje é a maior dos últimos dez anos. As eleições de 2026 vão definir muito do que acontece nos próximos quatro anos.”
Leandro reforçou a importância do planejamento e da racionalidade.
“Filtrem as notícias, acompanhem seus investimentos e não deixem a emoção ou a ideologia política interferirem na carteira.”
E concluiu:“Tempo é uma variável essencial para os investimentos. Ajustar a carteira mês a mês é o caminho para atravessar esse período com tranquilidade e construir bons resultados no longo prazo.”
Leandro Fabian é assessor de investimentos da Invest Smart XP e atua em Feira de Santana, prestando consultoria personalizada para investidores pessoa física e jurídica.







