Indígenas do Paraná denunciam impactos ambientais causados por usina de Itaipu durante a COP30 em Belém
O líder indígena afirmou que a comunidade luta há cerca de 50 anos por reparação histórica e reconhecimento dos danos causados

Com o início da COP30 nesta segunda-feira (10), em Belém (PA), representantes indígenas participam das discussões sobre mudanças climáticas e reparações históricas. Entre eles, está o indígena Lino César Cunumi Pereira, que veio do Paraná acompanhado de uma delegação com 15 pessoas, incluindo representantes do Paraguai.
Em entrevista durante o evento, Lino relatou os graves impactos ambientais e culturais sofridos por comunidades indígenas em decorrência da construção da usina de Itaipu, no Rio Paraná. Segundo ele, as obras da hidrelétrica provocaram o alagamento de territórios sagrados e cemitérios indígenas, resultando em perdas irreparáveis.
“Na nossa região, tínhamos muito território antes da usina elétrica da Itaipu. Falaram que iam cuidar do meio ambiente, mas o que a gente viu foi o contrário. Construíram em cima da aldeia indígena. O alargamento do Rio Paraná fez uma represa sobre o território indígena”, contou Lino.
O líder indígena afirmou que a comunidade luta há cerca de 50 anos por reparação histórica e reconhecimento dos danos causados, mas as promessas de compensação ainda não foram cumpridas.
“Esperamos essa reparação há cinco décadas. Fizeram a represa em cima do nosso cemitério, e até hoje nada foi recuperado. São mais de cinco mil indígenas esperando uma resposta da Itaipu, que sempre prometeu, mas nunca cumpriu. Essa dívida precisa ser paga”, destacou.
Lino reforçou que a presença dos povos originários na COP30 é uma oportunidade de dar visibilidade a essas demandas e cobrar compromissos concretos.
“Estamos aqui para falar da nossa região e das mudanças climáticas. É uma oportunidade importante para a gente se expressar e buscar avanços diante de tantas dificuldades que enfrentamos”, completou.
A cobertura da COP30 está sendo realizada por Jorge Biancchi e Marcus Biancchi, que acompanham os debates e destacam a participação dos povos tradicionais, cientistas e lideranças políticas no maior evento ambiental do planeta.
*Com informações de Jorge Biancchi, direto da COP 30 em Belém do Pará







