Saúde

Idade influencia, mas não é o único fator: especialista alerta para riscos de feridas que não cicatrizam em idosos

Comorbidades como diabetes e problemas circulatórios podem agravar o quadro; tratamento adequado e precoce é essencial para evitar complicações

02/04/2026 10h37
Idade influencia, mas não é o único fator: especialista alerta para riscos de feridas que não cicatrizam em idosos

A cicatrização de feridas pode ser mais lenta na terceira idade, mas atribuir esse processo apenas ao envelhecimento é um erro comum. O alerta é da especialista em tratamento de feridas, Áquilla Chahinne, que destacou os principais fatores que influenciam a cicatrização e os riscos de negligenciar lesões, especialmente em idosos.

Segundo Áquilla, o envelhecimento impacta, sim, o tempo de recuperação, mas não deve ser visto como justificativa para feridas que não cicatrizam.

“Quando a gente fala de cicatrização, vários fatores podem estar interferindo nesse processo. A idade pode, de fato, fazer com que a cicatrização ocorra de forma um pouco mais lenta”, explicou.

Ela detalha que isso ocorre por mudanças naturais no organismo. “Uma pessoa idosa tem menor vascularização, menor produção de colágeno e uma resposta inflamatória mais lenta. As células de defesa chegam, mas chegam um pouquinho mais devagar”, afirmou.

Apesar disso, a especialista reforça que o problema vai além da idade. “Não é só a idade. Muitas vezes ela vem associada a comorbidades, como diabetes, hipertensão e doenças circulatórias, e isso impacta diretamente na cicatrização”, destacou.

Um dos pontos de maior preocupação, segundo Áquilla, é o alto número de idosos com diabetes — muitos sem diagnóstico.

“Hoje, a cada dez idosos, três são diabéticos. E muitas vezes essa pessoa nem sabe que tem a doença”, alertou.

Ela explica que o diabetes descontrolado compromete o sistema imunológico e dificulta a resposta do organismo.

“Esse paciente vai ter uma resposta muito mais lenta. Em caso de infecção, o corpo não consegue reagir rapidamente, e isso pode fazer com que o quadro se agrave”, disse.

Além disso, complicações circulatórias são comuns nesses pacientes. “Tem diabéticos que chegam a ter artérias obstruídas, sem fluxo sanguíneo adequado. Isso dificulta ainda mais a cicatrização”, completou.

Áquilla chama atenção para um erro frequente: considerar normal uma ferida persistente em idosos.

“Ter uma ferida que não cicatriza não é normal. Se o corpo não está conseguindo cicatrizar, tem algo errado acontecendo”, afirmou.

De acordo com a especialista, feridas que permanecem abertas por mais de duas a quatro semanas já devem ser investigadas.

“Isso caracteriza uma ferida de difícil cicatrização e exige avaliação de um especialista para identificar a causa”, orientou.

A especialista reforça que o tratamento adequado envolve uma abordagem mais ampla, com uso de tecnologia e acompanhamento multidisciplinar.

“Não é só colocar uma gaze e lavar com soro. Existem estratégias, curativos avançados e tecnologias que aceleram esse processo”, explicou.

Entre os recursos, ela cita a laserterapia e a importância da alimentação. “A gente trabalha também com nutricionista, ajustando proteína, vitaminas e hidratação. Tudo isso ajuda a potencializar a cicatrização”, disse.

Além da parte técnica, Áquilla destaca o papel do acolhimento no tratamento. “O acolhimento chega antes do resultado. Não é só sobre o serviço, é sobre propósito, sobre devolver qualidade de vida e esperança para as pessoas”, afirmou.

Como orientação final, a especialista reforça a importância de buscar ajuda o quanto antes. “Quanto mais rápido você procura o tratamento, maiores são as chances de cicatrizar e recuperar a qualidade de vida”, concluiu.

O atendimento é realizado na Clínica Doutor Curativos, em Feira de Santana, que oferece acompanhamento especializado para pacientes com feridas de difícil cicatrização.

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