‘Humanidade ainda não compreendeu a emergência climática’, afirma Sônia Guajajara no último dia da COP30
Para a ministra, a COP30 também contribuiu para ampliar a compreensão mundial sobre a complexidade e a importância da região amazônica.

A ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, fez um balanço da participação indígena e dos resultados finais da COP30, realizada em Belém do Pará. Em entrevista com Jorge Biancchi, ela destacou avanços importantes para as pautas dos povos originários, mas lamentou que o texto final não tenha incorporado o “mapa do caminho” anunciado pelo presidente Lula, especialmente no que diz respeito à transição energética e à redução dos combustíveis fósseis.
Segundo Sônia, a COP30 representou um marco para a representatividade indígena nos debates climáticos globais.
“Nós conseguimos consolidar a maior participação indígena da história. Não só na Zona Azul, mas em todos os espaços. Conseguimos fazer incidência direta com os negociadores para incluir temas da pauta indígena.”
A ministra ressaltou que a presença ampliada permitiu maior pressão por políticas ambientais inclusivas e sensíveis aos territórios tradicionais.
Apesar dos avanços, Sônia reconheceu que houve uma decepção importante ao final da conferência: a não inclusão do texto proposto pelo Brasil sobre a eliminação gradual dos combustíveis fósseis.
“Esperávamos muito que fosse aprovado um mapa do caminho conforme anunciado pelo presidente Lula. Infelizmente não está no texto final. Isso mostra que a humanidade ainda está longe de ter consciência da emergência que o mundo já vive.”
Ela afirmou que a falta de um acordo claro sobre combustíveis fósseis deixa a COP30 com um resultado inferior ao esperado.
Questionada se esse seria o ponto mais frustrante, a ministra confirmou: “A saída dos combustíveis fósseis já é uma necessidade, é uma realidade. Não ter isso é um resultado muito aquém do esperado.”
Sônia destacou que, apesar dos entraves, o movimento indígena seguirá atuando para pressionar governos e organismos internacionais a avançar em compromissos climáticos mais contundentes.
“O maior desafio agora é seguir na articulação, mobilizando e conscientizando, como sempre fizemos. Nós, povos indígenas, há milênios alertamos que esse uso predatório da terra leva o planeta ao caos.”
Ela destacou que o trabalho contínuo envolve educação ambiental, defesa dos territórios e diálogo com a sociedade.
Para a ministra, a COP30 também contribuiu para ampliar a compreensão mundial sobre a complexidade e a importância da região amazônica.
“A maior conquista é que o mundo conheça a Amazônia entendendo que lá não existem apenas florestas, mas pessoas.”
*Com informações de Jorge Biancchi, direto da COP 30 em Belém






