Feira de Santana e Sua História

Historiador destaca papel da Rua Nova como quilombo urbano e celeiro cultural de Feira de Santana

Com o reconhecimento oficial como patrimônio imaterial, a Rua Nova reforça sua identidade como um dos mais importantes redutos da cultura afro-baiana e um ponto de encontro da diversidade artística feirense.

25/09/2025 22h44
Historiador destaca papel da Rua Nova como quilombo urbano e celeiro cultural de Feira de Santana

A Câmara Municipal de Feira de Santana aprovou, e o prefeito José Ronaldo sancionou, a lei que declara o bairro Rua Nova como bem cultural de natureza imaterial do município. O projeto é de autoria do vereador Flávio Arruda, conhecido como Galeguinho SPA, e celebra a relevância histórica e cultural da comunidade.

O historiador professor José Wilson Martins Fialho destacou a importância da decisão:

“É um reconhecimento merecido. O bairro da Rua Nova é um grande polo da cultura feirense, um celeiro de artistas e de expressões culturais, principalmente da cultura afro, do reggae e do samba reggae”, afirmou.

Segundo o professor, a formação do bairro remonta ao início das décadas de 1960 e 1970, em terras da fazendeira Ernestina Carneiro, conhecida como Dona Pomba, que doava lotes para famílias construírem suas casas.

“A Rua Nova é um quilombo urbano, no sentido literal e cultural. É onde a cultura afro de Feira se consolidou, com influências do sertão, do Recôncavo e do litoral. Desde 1982 já se produzia reggae aqui, antes mesmo de muitas bandas de Salvador”, ressaltou.

Artistas como Jorge de Angélica e o bloco afro Pomba de Malê nasceram no bairro e ajudaram a difundir o reggae e o samba-reggae em todo o país.

“Boa parte do reggae brasileiro passou pela Rua Nova”, enfatizou José Wilson.

Além da música, a Rua Nova é marcada por manifestações culturais como a Micareta de Feira e o afoxé Pomba de Malê, que projetam o bairro em eventos dentro e fora da cidade.

“É um lugar que respira cultura. Apesar de já ter sido visto como um espaço violento, a Rua Nova é, sobretudo, um território de resistência, onde a arte e a alegria florescem”, afirmou o historiador.

O Casarão de Dona Pomba, ainda preservado, é um dos marcos históricos do bairro, assim como a Praça da Rua Nova, que se torna referência para quem deseja conhecer a origem e a força cultural de Feira de Santana.

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