Frei franciscano que vive em Israel diz que rendição do Irã é improvável e alerta para risco de guerra terrestre
Segundo ele, a dificuldade de diálogo não se restringe apenas a um lado do conflito.

O frade franciscano Frei Valdir Nunes Ribeiro, da Província de São Paulo e residente em Israel há cinco anos, fez uma nova atualização sobre o conflito no Oriente Médio durante participação no programa Jornal do Meio Dia da Rádio Princesa FM, destacando que considera improvável uma rendição do Irã e demonstrando preocupação com a possibilidade de uma guerra terrestre, que poderia aumentar significativamente o número de mortes.
O religioso avaliou o posicionamento recente do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que um acordo com o Irã só ocorreria mediante rendição incondicional. Para Frei Valdir, o histórico político do país indica que esse cenário é pouco provável.
“O que se percebe é que é um regime extremamente forte, bem organizado. Não estão desbaratados. Pelo contrário, têm um nível de sucessão bem estruturado. Se cai um, outro já assume e dá continuidade na mesma linha”, afirmou.
Segundo ele, a dificuldade de diálogo não se restringe apenas a um lado do conflito.
“Vai ser difícil realmente um acordo de paz, porque das duas partes também não querem esse diálogo. O próprio Irã disse que não quer dialogar agora e que vai enfrentar a guerra como tal. Ninguém quer negociar ajoelhado, porque isso já seria uma capitulação”, explicou.
Apesar do cenário de tensão, Frei Valdir destacou que espera que líderes internacionais consigam abrir um canal de negociação para evitar uma escalada ainda maior da guerra.
“Espero que haja alguém que sente para dialogar. Para parar uma guerra é preciso sentar à mesa. É preciso estabelecer quem dialoga com quem para construir um processo de paz mais duradouro”, disse.
O frade também comentou informações sobre movimentações militares na região e a possibilidade de ações por terra, o que, segundo ele, poderia provocar consequências ainda mais graves.
“Uma guerra terrestre é muito corpo a corpo e o número de baixas costuma ser muito maior, inclusive entre militares. Não é uma tática muito apreciada por países com bom senso”, avaliou.
Frei Valdir destacou que a experiência histórica de conflitos como a Guerra do Vietnã ainda pesa nas decisões estratégicas de potências militares.
“Quem entra em território estrangeiro muitas vezes não conhece a terra como quem é dali. O Irã também se preparou bem ao longo dos anos. Há estruturas subterrâneas e depósitos de mísseis que mostram uma organização considerável”, pontuou.
Mesmo com os confrontos concentrados em outras áreas da região, o religioso explicou que Israel sofre diretamente os reflexos da guerra, principalmente por meio do lançamento de mísseis.
“O combate maior acontece em outras regiões, mas aqui sofremos os reflexos com os lançamentos de mísseis que chegam até Israel”, relatou.
Ele também comentou movimentações de grupos na região do Iraque que poderiam ampliar o conflito.
“Existem grupos que estão entrando pelo Iraque e que também têm certa organização. Isso pode indicar uma tentativa de avanço por terra, o que seria muito preocupante”, disse.






