Fisioterapia neuropediátrica transforma vidas e reforça importância da intervenção precoce em Feira de Santana
A fisioterapia neuropediátrica é voltada para crianças que apresentam alterações no desenvolvimento neuromotor ou possuem diagnósticos neurológicos.

A fisioterapia neuropediátrica foi o tema do quadro Neuroreabilitação em Pauta, que recebeu o fisioterapeuta Dr. Vinicius Oliveira, da Reabserv, e a fisioterapeuta Dra. Amanda Souza para falar sobre a importância do acompanhamento especializado no desenvolvimento de bebês e crianças com atraso motor ou diagnóstico neurológico.
Durante a entrevista, Dra. Amanda explicou que a fisioterapia neuropediátrica é voltada para crianças que apresentam alterações no desenvolvimento neuromotor ou possuem diagnósticos neurológicos.
“A fisioterapia neuropediátrica é voltada para crianças que apresentam atraso no desenvolvimento neuromotor ou algum diagnóstico neurológico. Atendemos, por exemplo, casos de paralisia cerebral, intercorrências no parto, AME e também autismo, que tem tido uma procura crescente”, destacou.
Dr. Vinicius relembrou que iniciou sua trajetória na reabilitação neurológica com adultos, em 2009, mas percebeu a necessidade de ampliar o atendimento para o público infantil na região.
“Sentia muita falta, em Feira de Santana, de um trabalho pediátrico baseado no treino locomotor. Fui buscar formação fora, participei de congressos e trouxe o método com suspensão de peso. Os resultados foram impressionantes”, afirmou.
Ele relatou casos de crianças com Síndrome de Down que, após poucas sessões de treino locomotor, conseguiram dar os primeiros passos.
“A gente pegava criança com dois anos que ainda não andava e, com duas sessões de treino com suspensão de peso, já víamos avanços significativos. As mães choravam de emoção. Isso mostra o quanto a intervenção correta pode transformar”, contou.
A partir dessa experiência, surgiu a implantação estruturada do serviço de neuropediatria na Reabserv, hoje conduzido por uma equipe especializada.
Dra. Amanda alertou que os pais precisam estar atentos aos chamados marcos motores do desenvolvimento infantil.
“É importante observar se o bebê sustenta a cabeça no período esperado, se senta sozinho, se engatinha, se anda no tempo adequado. Notar se a criança está ‘molinha’, mais durinha, se apresenta fraqueza muscular. Esses sinais precisam ser acompanhados”, explicou.
Ela reforça que, diante de qualquer suspeita ou diagnóstico, o ideal é procurar o quanto antes o acompanhamento fisioterapêutico.
Segundo a especialista, os primeiros anos de vida são fundamentais para ganhos no desenvolvimento, devido à plasticidade cerebral.
“A intervenção precoce é o que mais defendemos. Nos primeiros anos de vida é quando o cérebro está em maior capacidade de desenvolvimento. Quanto antes começar, maiores são os ganhos”, ressaltou.
O acompanhamento pediátrico regular também é essencial, inclusive nas consultas com o pediatra, avaliação do perímetro cefálico e exames de rotina, que podem antecipar diagnósticos e facilitar o encaminhamento.
O atendimento na neuropediatria começa com uma avaliação detalhada, que considera não apenas a criança, mas todo o contexto familiar.
“A gente escuta os pais, entende a história da gestação, do parto, como é o sono, a alimentação, a rotina escolar. Não é só a criança, é a família toda envolvida no processo”, explicou Amanda.
O plano terapêutico é montado de forma individualizada, definindo frequência semanal e métodos específicos conforme cada quadro clínico.
“Fisioterapia pediátrica não é brincar, mas usamos a ludicidade como ferramenta. Precisamos ganhar a confiança da criança para alcançar os objetivos terapêuticos”, afirmou.
Ao final da entrevista, Dr. Vinicius deixou uma mensagem às famílias: “Diagnóstico não é destino. Muitas vezes os pais recebem o diagnóstico e sentem que aquilo é uma sentença. Não é. Com qualidade de reabilitação, acompanhamento adequado e apoio da família, é possível proporcionar desenvolvimento, inclusão escolar e qualidade de vida.”
Dra. Amanda reforçou a importância do trabalho em conjunto.
“A criança faz uma ou duas horas de fisioterapia, mas passa o restante do dia em casa. É fundamental que os pais participem, estimulem no chão, interajam. É um trabalho em equipe.”







