Fim da guerra entre Israel e Hamas traz alívio e alerta, diz pesquisadora brasileira que vive em Israel
Andressa Nascimento, especialista em conflitos internacionais, comenta a libertação de reféns e o cenário de reconstrução após dois anos de guerra

Após dois anos de intensos confrontos, Israel e o grupo Hamas anunciaram o fim da guerra e iniciaram a libertação de reféns e prisioneiros de guerra. A notícia trouxe alívio à população israelense, mas também uma dose de cautela. Em entrevista ao Jornal do Meio Dia, direto de Israel, a pesquisadora e especialista em conflitos internacionais Andressa Nascimento, que reside há seis anos no país, afirmou que “Israel não é mais o mesmo” e que o momento exige vigilância e reconstrução.
“Nós temos pessoas que passaram dois anos vivendo em cativeiro, com experiências traumáticas. É um momento importante, uma vitória de certo modo, mas o país segue com muitos desafios. Essa guerra acabou entre aspas, porque o Oriente Médio vive um ciclo de vai e volta de conflitos”, destacou Andressa.
A libertação dos reféns foi parte de um acordo que prevê também a soltura de prisioneiros palestinos. Segundo Andressa, o cessar-fogo foi impulsionado não apenas pela pressão internacional, mas também pelo alto custo humano e financeiro de ambos os lados.

“Permanece o risco de novos ataques. Esse cessar-fogo é, na verdade, um período de recesso. Houve muito gasto de ambos os lados, e continuar nessa guerra seria insustentável. Mas o grupo terrorista Hamas certamente vai traçar novos planos. É uma região marcada por tensões permanentes”, explicou.
A presença do presidente norte-americano Donald Trump em Israel, logo após o anúncio do acordo, foi interpretada pela população local como um gesto simbólico de apoio.
“A presença dele trouxe um sentimento de segurança, de que há um respaldo internacional. Mas é preciso lembrar que o Oriente Médio é um tabuleiro político complexo, cheio de interesses. Qualquer descuido pode ser fatal, como já vimos com as milhares de vítimas e famílias destruídas”, disse a especialista.
Com o fim dos bombardeios, agências de viagem começaram a reorganizar excursões para Israel, incluindo roteiros religiosos interrompidos pela guerra. No entanto, Andressa alerta que ainda é preciso prudência.
“Não dá para dizer que há 100% de segurança. Mas comparado a dois anos atrás, é um momento mais estável. Minha recomendação é que as pessoas viajem em grupos ou caravanas, com guias especializados, porque ainda há áreas sensíveis e o risco de se perder em regiões instáveis é real”, orientou.
Sobre o estado de saúde dos reféns israelenses libertados, Andressa relatou que muitos apresentam sinais de desnutrição e traumas severos.
“Só de olhar as fotos é possível perceber o estado debilitado. Eles estão recebendo atendimento médico, mas o impacto psicológico é ainda mais grave que o físico. Muitos emagreceram muito e perderam nutrientes, será um longo processo de recuperação”, afirmou.
Apesar do alívio temporário, a especialista ressalta que Israel precisa permanecer atento.
“O Hamas foi golpeado, mas não eliminado. Eles devem tentar se reestruturar. A curto prazo, não representam uma ameaça imediata, mas no médio prazo é provável que se preparem para novas ações. Israel precisa estar em alerta para não ser surpreendido novamente, como no ataque de 7 de outubro de 2023”, alertou Andressa Nascimento.
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