“Feira de Santana precisa de revolução na educação e no saneamento”, diz escritor Joaci Góes
Ele associou a precariedade do ensino à falta de saneamento básico, que afeta o desenvolvimento infantil.
Em entrevista especial ao Jornal do Meio-Dia da Rádio Princesa FM, o escritor, advogado, empresário e jornalista Joaci Góes destacou a educação e o saneamento básico como pontos centrais para o desenvolvimento de Feira de Santana. Convidado pelo Instituto Pensar Feira, Joaci já palestrou na cidade, que celebra 192 anos de emancipação e se prepara para o bicentenário em 2033.
Natural de Ipirá, nascido em 25 de agosto de 1938, Joaci é reconhecido por sua atuação política e intelectual. Ele recebeu o título de cidadão honorário de Feira e não esconde o carinho pela cidade:
“Quando eu chegava a Feira, sentia um impacto maior do que quando fui a Paris, Nova York ou Londres. Feira de Santana é motivo de orgulho para os baianos”, disse.
Durante a entrevista, Joaci ressaltou que o principal desafio de Feira de Santana, e do Brasil, é a educação.
“Todos os problemas que temos no país derivam da falta de educação de qualidade. Desde a década de 1970, entramos na era do conhecimento sem o devido preparo. Hoje, somos uma das dez maiores economias do mundo, mas ocupamos posições vergonhosas em índices educacionais”, alertou.
O escritor também associou a precariedade do ensino à falta de saneamento básico, que afeta o desenvolvimento infantil.
“Na Bahia, quase 60% da população não tem saneamento. Crianças expostas a ambientes insalubres desde a gestação até os dois anos sofrem prejuízos cognitivos irreversíveis. Isso compromete a aprendizagem, a autoestima e, no futuro, a produtividade.”
Segundo Joaci, a baixa produtividade brasileira está diretamente ligada à educação deficiente.
“Nossas indústrias perdem competitividade porque não temos mão de obra qualificada para agregar valor às matérias-primas que exportamos.”
Ele elogiou a iniciativa da Prefeitura de Feira de incluir aulas de inglês no ensino fundamental, mas pediu um esforço conjunto:
“É preciso um grande movimento envolvendo escolas públicas e privadas, universidades, imprensa, igrejas e toda a sociedade.”
O escritor também criticou a violência na Bahia: “A possibilidade de uma pessoa ser assassinada em Salvador é 128 vezes maior do que em uma capital europeia. Isso é uma calamidade pública, e a origem está na educação.”
Para o futuro, Joaci vê oportunidades: “Feira pode se tornar um polo nacional de bicicletas, criar um grande centro de artesanato do Nordeste e atrair turismo regional. O potencial é imenso, desde que se invista em educação e saneamento. Não existe progresso sustentável sem educação. Esse é o pilar para que Feira de Santana alcance todo o seu potencial.”







