Feira de Santana ampliará rede de proteção às mulheres com chegada da Casa da Mulher Brasileira
Ação faz parte de iniciativas integradas da Secretaria de Políticas para Mulheres da Bahia

O Brasil registrou, em 2025, o maior número de casos de feminicídio já contabilizados no país. Ao todo, 1.470 mulheres foram assassinadas, o que representa uma média de quatro mortes por dia. Os dados fazem parte do indicador do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que reúne registros de todos os estados.
O número supera o de 2024, que já havia sido considerado recorde. A taxa nacional permaneceu em 0,69 morte para cada 100 mil habitantes, índice que se mantém estável desde 2022, repetindo-se também em 2023 e 2024.
Diante do cenário alarmante, a Secretaria de Políticas para as Mulheres do Estado da Bahia (SPM-BA) destaca ações voltadas tanto para a prevenção quanto para o enfrentamento da violência contra a mulher, com iniciativas em Feira de Santana e em diversas regiões do estado.
A titular da pasta, Neusa Cadore, ressaltou a importância do trabalho preventivo, especialmente nas escolas. Segundo ela, um dos principais projetos em andamento é o Programa “Oxe, me Respeite nas Escolas”, desenvolvido em cerca de 300 escolas da Bahia, incluindo unidades em Feira de Santana.
“A gente tem ações de prevenção e eu vou citar aqui um projeto que existe em Feira de Santana e em trezentas escolas da Bahia, que é um processo de formação com alunos do nível médio. O programa “Oxe, me Respeite” consiste em atividades que refletem sobre todos os tipos de violência”, explicou.
Neusa Cadore destacou que muitos comportamentos abusivos acabam sendo naturalizados, dificultando a identificação da violência ainda em seus estágios iniciais.
“Muitas vezes a menina está sofrendo um controle exagerado do namorado e não identifica aquilo como uma violência porque se acostumou com isso. Do outro lado, o rapaz pode estar cometendo uma violência psicológica, e às vezes até física, sem compreender que aquilo é violência”, afirmou.
Para a secretária, o enfrentamento passa pela discussão de novos modelos de masculinidade.
“A gente precisa discutir o que é ser homem, qual é o tipo de masculinidade saudável. A violência não começa no feminicídio, ela começa devagarinho, vai crescendo. Se a gente não tiver um trabalho de conscientização, isso acaba refletindo nesses números ainda exagerados que a gente vê todos os anos”, alertou.
Além das ações educativas, a SPM-BA atua em campanhas de conscientização em festas populares, no Carnaval e em espaços comunitários, além do fortalecimento da rede de atendimento às vítimas.
Neusa Cadore também destacou investimentos estruturais importantes, como o funcionamento 24 horas da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Feira de Santana, anunciado pelo governador, e a construção da Casa da Mulher Brasileira no município.
“Aqui em Feira de Santana vai ser construída a Casa da Mulher Brasileira, numa área próxima à Universidade Federal e à nova policlínica. É um equipamento completo: delegacia da mulher, Ministério Público, Defensoria Pública, Vara de Violência e equipe multidisciplinar”, detalhou.
Segundo a secretária, o espaço será fundamental para o acolhimento das vítimas.
“É o lugar onde a mulher chega para relatar a violência, é acolhida, orientada e fortalecida. Muitas vezes ela não tem autonomia econômica, tem dependência emocional. Ela precisa ser encorajada e apoiada, porque não é um processo fácil”, completou.
Além de Feira de Santana, a construção da Casa da Mulher Brasileira está prevista para Irecê e Itabuna. De acordo com Neusa, a licitação deve ser realizada em março, com início das obras ainda este ano.
“A previsão é de início das obras já após a licitação, porque é uma política muito importante. Feira de Santana e o interior da Bahia ganham muito com isso”, concluiu.
*Com informações da repórter Isabel Bomfim






