Feira de Santana

Família de auditor fiscal assassinado em 1996 critica demora da justiça após prisão do acusado 28 anos depois

José Raimundo Aras viveu boa parte de sua vida em Feira de Santana.

04/04/2025 06h24
Família de auditor fiscal assassinado em 1996 critica demora da justiça após prisão do acusado 28 anos depois

A prisão de Carlos Robério Vieira Pereira, de 60 anos, apontado como o pistoleiro que assassinou o auditor fiscal José Raimundo Aras em 1996, trouxe à tona a dor ainda latente da família, especialmente dos filhos Vladmir Aras, procurador federal, e Thiago Aras, empresário feirense

“Hoje eu só queria um abraço do meu pai”, desabafou Thiago. Ele destacou o sentimento de injustiça e a longa espera por uma resposta da Justiça. “A parte que mais pesa com certeza é o sentimento negado, o vazio, a lacuna que se abriu em nossas vidas pela ausência de nosso pai. Um sentimento de vários momentos: lembrar desse fato é torcer a alma ferida. Nada irá remediar essa partida forçada pela crueldade. Foram 28 anos de vazio, descrença e cicatrizes que o tempo só fez aumentar.”

Para Thiago, o tempo não cura. Pelo contrário, aprofunda a dor e amplia as cicatrizes. “Essas cicatrizes transpassam o tempo, elas só aumentam. A morte é negação da vida, mas também, em muitos casos, é a afirmação da injustiça”, afirmou.

A espera por justiça é um fardo pesado que a família carrega desde o dia do crime. A notícia recente sobre o avanço do processo chegou como um choque, após tanto tempo de silêncio. Ainda assim, segundo Thiago, há um longo caminho pela frente.

“Recebemos a notícia após tanto tempo como surpresa, ainda falta muito até a conclusão do processo. Nada irá remediar ou atenuar essa partida forçada pela crueldade. A justiça tardou muito antes do meu pai ser alvejado por 6 tiros”

Passados 28 anos, Thiago traduz o luto como uma condenação que ultrapassa a perda familiar: “É sentenciar a descrença, é trazer os aflitos e desamparados pela justiça mais perto de nós, porque passamos a viver com eles.”

Vladimir Aras, filho da vítima, afirmou que a notícia representa um avanço na busca por justiça, mas ressaltou que ainda há etapas a serem vencidas.

“Recebemos essa notícia com uma sensação mista de esperança e desalento, porque revive feridas que carregamos desde 1996. Mas, ao mesmo tempo, é uma virada de página, pois esse pistoleiro, que passou pouco tempo na cadeia, agora deve cumprir definitivamente a pena a que foi condenado pelo Tribunal do Júri de Petrolina, em 2012”, disse Vladimir.

A prisão aconteceu em Manaus (AM), onde o condenado vivia. Agora, a expectativa da família é que ele cumpra sua pena, independentemente do local de detenção. No entanto, para Vladimir Aras, a luta ainda não terminou. Ele defende que o principal mandante do crime, que segue impune, também seja levado a julgamento.

“Esperamos que o indivíduo que contratou esse pistoleiro, se aliando a outros dois mandantes para encomendar a morte do meu pai, finalmente seja julgado pelo Tribunal do Júri em Pernambuco, onde o crime aconteceu. Ele precisa responder pelo mal que fez não só ao meu pai, mas a toda a família, aos filhos, netos que nunca o conheceram, amigos e colegas que o admiravam pelo homem honesto que era”, afirmou.

Segundo Vladimir Aras, o assassinato de José Raimundo Aras foi motivado por questões relacionadas ao trabalho do auditor fiscal. Para a família, a prisão do pistoleiro representa um avanço, mas a verdadeira justiça só será alcançada quando todos os envolvidos forem responsabilizados.

“Não podemos aceitar que, depois de tantos anos, esse homem continue impune, andando por Petrolina como se nada tivesse acontecido. Ele é um criminoso e precisa ir para a cadeia”, concluiu Vladimir Aras.

Carlos Robério foi preso na quarta-feira (3), em Manaus, após investigações da Polícia Civil da Bahia. Condenado a 18 anos de prisão, ele estava foragido havia quase três décadas. Segundo a polícia do Amazonas, ele foi contratado por empresários que buscavam silenciar o auditor fiscal, que se recusou a aceitar propina para interromper investigações contra um esquema de sonegação fiscal conhecido como “Máfia do Açúcar”.

José Raimundo Aras viveu boa parte de sua vida em Feira de Santana. Sociólogo pela UFBA, professor estadual e fundador da Associação dos Sociólogos da Bahia, atuou na cidade também como empresário com a Gráfica Subaé ao lado do irmão, o ex-deputado Roque Aras.

A família agora aguarda a conclusão do processo e cobra justiça plena, mesmo após tanto tempo.

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