Excesso de peso e síndrome do ovário policístico: Nutricionista aponta impacto e desafios
A nutricionista Mayara Costa alerta que o excesso de peso pode agravar os sintomas e dificultar o controle da condição.
A síndrome do ovário policístico (SOP) é uma desordem hormonal que afeta um grande número de mulheres em idade reprodutiva, podendo gerar complicações como irregularidade menstrual, acne, crescimento excessivo de pelos e até infertilidade. A nutricionista Mayara Costa alerta que o excesso de peso pode agravar os sintomas e dificultar o controle da condição.
Segundo Mayara Costa, a SOP é muitas vezes erroneamente associada apenas à presença de cistos no ovário, mas trata-se de uma desregulação hormonal mais ampla.
“A presença dos cistos é apenas uma das manifestações da síndrome, que afeta os hormônios femininos, especialmente a progesterona e o estrogênio”, explica.
A especialista destaca que, desde 2012, profissionais de saúde têm discutido a mudança do nome da síndrome para evitar a ideia equivocada de que a condição se restringe a problemas ovarianos. “É uma condição hormonal, e seu impacto vai muito além dos ovários”, reforça.
As causas da SOP ainda não são totalmente compreendidas. “Não existe uma causa específica, mas estudos apontam fatores genéticos e de estilo de vida”, afirma Mayara. Ela ressalta que o estilo de vida da mulher e até mesmo da mãe podem influenciar no desenvolvimento da síndrome.
Entre os sintomas mais comuns da SOP estão o crescimento excessivo de pelos no rosto, seios e abdômen, acne, ciclos menstruais irregulares e ganho de peso. A condição também pode estar associada à resistência insulínica, um problema que dificulta a absorção da glicose pelo organismo, favorecendo o acúmulo de gordura corporal.
Mayara explica que mulheres com SOP frequentemente apresentam sobrepeso ou obesidade devido ao desequilíbrio hormonal.
“Esse excesso de peso pode levar a doenças cardiovasculares, hipertensão, dislipidemia e até mesmo infertilidade”, alerta.
Ela ainda destaca a relação entre inflamação corporal e dificuldades na reprodução. “Um corpo inflamado, devido ao excesso de gordura corporal, libera toxinas que podem afetar a fertilidade. A manutenção de um peso saudável é essencial para reduzir os sintomas da SOP”, afirma.
A nutricionista reforça que a SOP não tem cura, mas pode ser controlada. “O anticoncepcional pode mascarar os sintomas ao regular os hormônios, mas ele não trata a raiz do problema”, explica. Por isso, o tratamento deve ser acompanhado de mudanças no estilo de vida, como alimentação balanceada e prática de atividade física.
Mayara destaca que uma dieta equilibrada é fundamental para amenizar os sintomas da SOP. “Reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados e priorizar alimentos naturais melhora a microbiota intestinal e facilita a absorção de nutrientes essenciais”, explica.
Com a adoção de hábitos saudáveis, muitas mulheres conseguem controlar a SOP e melhorar sua qualidade de vida.
“A mudança no estilo de vida é a chave para o bem-estar e para reduzir os impactos da síndrome”, finaliza a nutricionista.