Estimular a leitura nas férias fortalece o desenvolvimento das crianças, destaca psicopedagoga
Fernanda Leal alerta que a leitura vai muito além dos livros e deve ser incentivada no cotidiano

A psicopedagoga Fernanda Leal, mestre em Língua Portuguesa e formada em Letras e Filosofia, participou de uma entrevista especial sobre a importância da leitura no período de férias. Segundo ela, ler vai muito além das palavras impressas.
“Leitor no século 21 vai além da ideia de ler apenas um livro. Leitor é aquele que olha, observa e interpreta”, explicou.
Fernanda destaca que, mesmo durante o descanso escolar, pais e responsáveis devem incentivar as crianças a continuar desenvolvendo o hábito de ler.
“Pergunte o que seu filho está lendo, como ele está associando essa leitura ao cotidiano. Ler só para decodificar não adianta. A leitura precisa ter significado.”
Para a psicopedagoga, a rapidez das redes sociais é um dos maiores desafios enfrentados pela leitura aprofundada.
“As redes sociais fazem com que os jovens sejam levados por esse ambiente mais rápido do que o livro. Mas elas também podem ser nossas aliadas.”
Segundo ela, pais e jovens podem usar os algoritmos a favor da informação: “Se você fica meia hora rolando a tela, por que não fazer os algoritmos trabalharem para trazer conteúdo de qualidade?”
Fernanda reforça que o exemplo é fundamental: “Palavras convencem, mas exemplos arrastam. Como nós, adultos, estamos nos comportando diante da leitura?”
Além disso, orienta que o diálogo seja constante.
“Quando se questiona, a criança busca respostas e ao buscar, ela aprende.”
Sobre o uso do celular, ela alerta que a proibição total não é efetiva.
“O celular não pode ser visto como inimigo, mas como aliado. Toda vez que se proíbe, o proibido se torna mais gostoso.”
A especialista explica que ler desenvolve tanto o cognitivo quanto o emocional, contribuindo para a vida em sociedade.
“Quanto mais você sabe lidar com suas emoções, mais sua inteligência cresce. A leitura ajuda a viver melhor, a não cair em ‘pegadinhas’ da vida e do consumo.”
Ela lembra que atualmente a educação precisa trabalhar competências socioemocionais e que professores também devem estar preparados emocionalmente para ensinar.
“A intelectualidade sozinha, sem emoção, não vai a lugar nenhum.”
Fernanda recomenda que crianças e adolescentes avaliem temas que despertem curiosidade.
“A capa até chama atenção, mas é a sinopse que diz se vale a pena seguir a leitura.”
Ela defende também que as famílias criem ambientes seguros de leitura.
“A vida não é feita só de agitação. Precisamos permitir momentos de reflexão.”






