Esquema de grilagem atuava há mais de 10 anos com apoio de agentes públicos, diz polícia
A ação resultou na prisão de sete pessoas e no cumprimento de 47 mandados de busca e apreensão. Um dos alvos segue foragido.

A Polícia Civil da Bahia deflagrou, nesta quarta-feira (26), uma operação contra um esquema criminoso de grilagem de terras, falsificação de documentos, lavagem de dinheiro e extorsão em Feira de Santana. A ação resultou na prisão de sete pessoas e no cumprimento de 47 mandados de busca e apreensão. Um dos alvos segue foragido.
Segundo a delegada Arislene Almeida, responsável pela investigação, tratava-se de uma organização criminosa estruturada em três núcleos: delegatários (envolvidos em falsificação e manipulação documental), agentes públicos armados e empresários/corretores de imóveis.

“Essas pessoas tinham porte e posse de arma de fogo e utilizavam esse armamento justamente para coagir e extorquir as vítimas, para conseguir essas terras e posteriormente fraudar matrículas como se fossem os proprietários de fato”, explicou.
A apuração aponta que o grupo vinha atuando há pelo menos 12 anos na cidade e região.
“Nós temos relatos de vítimas a partir de 2013, não quer dizer que não tenham informações anteriores”, destacou a delegada.
A investigação incluiu interceptações telefônicas e telemáticas, análises financeiras e diligências de campo. O trabalho também levou a correições extraordinárias no 1º e 2º Cartórios de Registro de Imóveis, resultando no afastamento das delegatárias envolvidas.
O delegado Alexandre Galvão detalhou que as principais vítimas eram pequenos posseiros.

“Eram terrenos de pessoas pobres. Havia ameaças para que deixassem os imóveis e, a partir daí, indivíduos em parceria com cartórios maquiavam novas matrículas e se tornavam legítimos proprietários documentados daquilo que foi grilado”, afirmou.
Os terrenos eram posteriormente revendidos ou usados para criação de condomínios irregulares.
Foram apreendidos 12 automóveis, 3 motocicletas, joias e documentos. A Justiça bloqueou até R$ 6 milhões por CPF e R$ 60 milhões por CNPJ dos investigados.
“Há grande possibilidade de que esses veículos tenham sido frutos da prática criminosa com a venda de terrenos que não eram seus”, disse Arislene Almeida.
As prisões realizadas são temporárias. Para o delegado Alexandre Galvão, o material apreendido abrirá caminho para futuras ações.
“Conseguimos alcançar sete de oito alvos, quase 100% de aproveitamento nas prisões. Muito material probatório foi apreendido e vai alicerçar novos pedidos de prisão em futuro breve”, ressaltou.
Sobre a suspeita de destruição de provas durante a operação, Galvão afirmou: “É lógico que tentem destruir provas, mas essa tentativa apenas demonstra a culpabilidade daqueles que assim agem.”
A polícia acredita que os verdadeiros donos poderão reaver os imóveis tomados pelo grupo.
“No decorrer das investigações, é possível que matrículas sejam canceladas e os imóveis voltem aos proprietários, que em regra geral eram os posseiros”, concluiu Alexandre Galvão.
A Operação segue em andamento para identificar e deter novos envolvidos no esquema, inclusive em cidades vizinhas.
*Com informações do repórter Robson Nascimento
Leia também:







