Cultura

Espetáculo de Feira de Santana é o único representante da Bahia em prêmio nacional de teatro em São Paulo

“Akoko Lati Wa Ni – Tempo de Ser” reforça protagonismo negro e representatividade feirense nas artes cênicas brasileira.

01/02/2026 06h35
Espetáculo de Feira de Santana é o único representante da Bahia em prêmio nacional de teatro em São Paulo
Foto: Gabriel Lima

Feira de Santana passa a ocupar um lugar de destaque no cenário do teatro brasileiro. O espetáculo “Akoko Lati Wa Ni – Tempo de Ser”, da CIA ÚNICA de Teatro, é o único representante da Bahia indicado ao Prêmio Shell de Teatro 2025, na categoria Destaque Nacional, uma das mais importantes premiações das artes cênicas do país.

Com estreia em 2024, o trabalho marca a primeira indicação da companhia a uma premiação nacional e pode se tornar o primeiro espetáculo criado em Feira de Santana a alcançar o Prêmio Shell, tradicionalmente concentrado no eixo Rio–São Paulo.

O reconhecimento amplia a visibilidade da produção artística do interior do estado e representa um ganho simbólico para a cultura baiana.

A montagem é definida por seus criadores como um macumdrama, linguagem que une teatro, música, dança, poesia e espiritualidade afro-brasileira.

A obra acompanha três jovens negros, yawôs e estudantes de teatro, que recorrem ao orixá Iroko — o senhor do tempo — para refletir sobre o direito de existir, envelhecer e viver em uma sociedade marcada pelo racismo estrutural.

Com direção e dramaturgia de Onisajé, o espetáculo dialoga diretamente com temas urgentes como juventude negra, intolerância religiosa, ancestralidade e resistência cultural, a partir do que a artista nomeia como Teatro Preto de Candomblé.

Para a CIA ÚNICA, o reconhecimento representa mais do que uma conquista artística: é a afirmação da potência cultural produzida fora dos grandes centros.

“Essa indicação coloca Feira de Santana no mapa do teatro nacional e reafirma que nossa arte e saberes têm valor e alcance”, destaca Júlia Lorrana, atriz e uma das fundadoras da companhia.

Representar Feira de Santana e a Bahia em uma das maiores premiações do teatro brasileiro também envolve desafios de produção.

A cerimônia irá acontecer em São Paulo, no dia 18 de março, no Sesc Pinheiros.

Como forma de mobilizar o público e levantar os recursos necessários para despesas de viagem e hospedagem para recebimento do prêmio, a CIA ÚNICA realizará uma temporada especial do espetáculo em Feira de Santana, prevista para acontecer em março, uma semana após o Carnaval.

A iniciativa reforça o vínculo da companhia com a cidade e convida o público local a fazer parte desse momento significativo para o teatro baiano. Em breve, serão divulgadas todas as informações sobre datas, local e venda de ingressos, além da continuidade da busca por patrocínios e apoios culturais.

Ficha técnica:

Companhia: CIA ÚNICA de Teatro

Gênero/Linguagem: Macumdrama

Duração: 55 minutos

Classificação indicativa: 14 anos

Ano de estreia: 2024

Cidade de origem: Feira de Santana – BA
Direção: Onisajé

Dramaturgia / Texto: Onisajé

Júlia Lorrana – Dofona

Ofámiro – Dofonitinho

Aninha Pinheiro – Famo
Direção musical / Trilha sonora: Jarbas Bittencourt
Direção de arte: Guilherme Hunder

Operação de som: Liu Silva

Iluminação: Nando Zâmbia

Operação de luz: Lion Guimarães e Ângelo Máximo
Produção: Luiz Antônio Sena Jr e Gabriela Marques

Comentários

Leia também

Cultura
Wagner Moura vence prêmio em Paris por O Agente Secreto

Wagner Moura vence prêmio em Paris por O Agente Secreto

Ator baiano leva Melhor Ator no Paris Film Critics Awards enquanto filme de Kleber Mendonça...
Cultura
“Fixação”: novo arrocha de Carol Marttins fala sobre amor que não sai da cabeça

“Fixação”: novo arrocha de Carol Marttins fala sobre amor que não sai da cabeça

O lançamento marca mais um passo importante na carreira da artista
Cultura
Trilogia do Reggae abre programação de fevereiro no Centro de Convenções de Feira de Santana

Trilogia do Reggae abre programação de fevereiro no Centro de Convenções de Feira de Santana

Show gratuito reúne Dionorina, Gilsam e Jôhras em homenagem ao legado de Jorge de Angélica...