Especialista alerta para importância de reduzir inflamação antes de cirurgia plástica em pacientes com lipedema
Médica nutróloga Aline Jardim explica que tratamento prévio pode evitar complicações e melhorar resultados estéticos
A necessidade de reduzir o processo inflamatório no organismo antes da realização de cirurgias plásticas em pacientes com lipedema foi tema do quadro “Saúde em Pauta”, apresentado no programa Cidade em Pauta, da Nordeste FM 95.3. Durante a entrevista, a médica nutróloga Dra. Aline Jardim destacou que o preparo clínico é fundamental para garantir melhores resultados e evitar complicações no pós-operatório.
A especialista explicou que o lipedema é uma doença crônica que afeta principalmente as mulheres e pode impactar tanto a saúde física quanto a autoestima.
“O lipedema é uma doença crônica e hereditária. Muitas vezes a mulher começa a observar na mãe, na tia ou na avó. Em algum momento de transição hormonal, como na primeira menstruação, gravidez ou até na menopausa, essa doença pode aparecer”, afirmou.
Segundo a médica, um dos sinais mais comuns é a desproporção entre a parte inferior e superior do corpo, especialmente nas pernas e quadris.
“Nas mulheres magras isso fica ainda mais evidente, mas também acontece nas mulheres obesas. O bumbum e as pernas ficam muito maiores que o restante do corpo, e os sintomas que mais impactam são a dor, o peso nas pernas e o desconforto ao toque”, explicou.
Além das limitações físicas, a doença também afeta a saúde emocional das pacientes.
“Essa mulher sente dor para fazer exercícios e muitas vezes sofre com a aparência das pernas. A estética afeta diretamente a autoestima e a saúde mental”, acrescentou.
Durante a entrevista, Dra. Aline destacou que a redução da inflamação é um passo essencial antes de qualquer cirurgia plástica, especialmente nos casos de lipedema.
“A inflamação precisa ser tratada antes de qualquer cirurgia. Hoje vemos muitas pessoas querendo resultados imediatos, mas o corpo precisa ser preparado”, alertou.
Ela explicou ainda que existe uma diferença importante entre o tecido adiposo do paciente obeso e o tecido afetado pelo lipedema.
“No lipedema, o tecido adiposo é mais hipertrofiado, formando nódulos e fibroses. Por isso a mulher, principalmente no estágio dois da doença, apresenta aquelas nodulações visíveis nas pernas”, disse.
De acordo com a nutróloga, quando o processo inflamatório não é tratado, o resultado da cirurgia pode ser comprometido.
“Se o nódulo e a fibrose continuam presentes, o cirurgião plástico não vai conseguir atingir o resultado esperado. Nem a paciente fica satisfeita e nem o médico consegue realizar a cirurgia da melhor forma”, afirmou.
Por isso, segundo ela, muitas pacientes passam meses em tratamento clínico antes de realizar a cirurgia.
“Temos pacientes que ficam cerca de seis meses tratando o processo inflamatório para depois realizar a cirurgia e ter um resultado estético muito melhor”, ressaltou.
A especialista também destacou que a alimentação tem papel fundamental na redução da inflamação.
“Os estudos mostram que a dieta cetogênica pode ajudar, porque tem baixíssima quantidade de carboidrato. O lipedema é muito sensível aos picos de insulina”, explicou.
Segundo a médica, o excesso de carboidratos pode intensificar o processo inflamatório.
“Quando você consome muito carboidrato, principalmente sozinho, isso aumenta os picos de insulina e inflama ainda mais o tecido adiposo”, disse.
Além da alimentação, outros cuidados também são necessários.
“Não existe tratamento único. Precisamos melhorar a microcirculação, utilizar estratégias medicamentosas, suplementação e cuidar do estilo de vida do paciente”, afirmou.
A médica alertou ainda que pacientes com inflamação elevada podem enfrentar complicações após procedimentos cirúrgicos.
“O maior risco são complicações no pós-operatório, como dificuldade de cicatrização, aumento de líquidos na região operada e um processo inflamatório prolongado”, explicou.
Ela destacou que o preparo prévio contribui diretamente para o sucesso da cirurgia.
“Quando o corpo está desinflamado, conseguimos evitar muitos desses efeitos adversos e alcançar resultados melhores”, disse.
Para Dra. Aline, o acompanhamento após a cirurgia também é essencial, já que o lipedema é uma doença crônica.
“Muitas pessoas acreditam que a cirurgia resolve tudo, mas não é assim. Se não houver manutenção, o problema pode voltar”, alertou.
Segundo ela, o tratamento deve continuar com hábitos saudáveis.
“É preciso manter alimentação adequada, atividade física, sono regular, suplementação quando necessário e acompanhamento médico. Quando isso vira hábito, fica muito mais fácil manter os resultados”, concluiu.
Durante a entrevista, a médica também informou que mais informações sobre o tratamento podem ser encontradas em suas redes sociais e nas páginas do Instituto da Plástica em Feira de Santana, onde são apresentados casos clínicos e orientações sobre o tema.







