Especialista alerta para complicações após cesariana e orienta cuidados no pós-operatório
Estomaterapeuta Áquilla Chahinne explica sinais de alerta como infecção, seroma e abertura de pontos

Durante participação no quadro semanal de saúde do programa Cidade em Pauta, a estomaterapeuta Áquilla Chahinne abordou um tema que gera muitas dúvidas entre as mulheres: as possíveis complicações após a cesariana. A especialista destacou que, apesar de ser uma cirurgia comum, o pós-operatório exige atenção e cuidados adequados para evitar problemas na cicatrização.
Segundo Áquilla, o período após o parto cirúrgico pode apresentar algumas complicações que precisam ser monitoradas de perto.
“Como estamos no mês das mulheres, o tema de hoje é voltado para as mamães que passaram pela cesariana e estão nesse processo de recuperação. A gente vai falar um pouco das complicações após essa cirurgia, porque gera muita dúvida”, explicou.
Entre os problemas mais frequentes, ela destacou o seroma, o hematoma, a infecção na incisão cirúrgica e a deiscência, que é o rompimento dos pontos.
“O seroma é um líquido do próprio processo inflamatório do corpo. Ele pode surgir quando há um descolamento do tecido. Muitas vezes começa com esse líquido, mas pode evoluir para o rompimento dos pontos cirúrgicos se não for acompanhado”, alertou.
Rompimento de pontos pode ocorrer semanas após a cirurgia
A especialista também explicou que a abertura dos pontos não é algo esperado, mas pode acontecer, inclusive semanas após o parto.
“Quando existe o rompimento de um ponto cirúrgico, primeiro precisamos avaliar como está o tecido. Se há presença de tecido necrosado, infecção ou saída de pus, é necessário tratar de forma antimicrobiana e remover o tecido comprometido”, afirmou.
Ela explicou que o tratamento envolve procedimentos específicos para limpeza da ferida e estímulo da cicatrização.
“No primeiro momento muitas vezes fazemos o desbridamento, que é a remoção do tecido ruim para permitir que o tecido saudável se forme e preencha a cavidade”, detalhou.
Segundo Áquilla, casos de rompimento podem surgir desde o primeiro dia após a cirurgia até cerca de 20 dias depois.
Sinais de alerta para infecção
A especialista também orientou as mulheres a observarem sinais que podem indicar infecção na região da cirurgia.
“É importante observar se existe vermelhidão, dor intensa, inchaço ou saída de algum líquido da incisão cirúrgica. Febre também pode aparecer. Se houver escurecimento ou amarelamento entre os pontos, isso já é um sinal de alerta”, explicou.
Nesses casos, ela recomenda procurar atendimento especializado o mais rápido possível.
Diabetes e obesidade aumentam o risco
De acordo com Áquilla Chahinne, mulheres com diabetes ou obesidade têm maior risco de complicações no pós-operatório.
“Em qualquer cirurgia abdominal esses fatores aumentam o risco. O paciente diabético pode ter a imunidade comprometida se o diabetes não estiver controlado, e a obesidade aumenta a presença de tecido adiposo, o que favorece o acúmulo de líquidos e dificulta a cicatrização”, destacou.
Evitar receitas caseiras
Outro alerta importante feito pela especialista é evitar tratamentos caseiros sem orientação profissional.
“Evitem receitas caseiras, banho de ervas ou produtos indicados por conhecidos. Já atendemos pacientes que tiveram complicações por causa disso, com sujeiras dentro da cavidade da ferida e até necessidade de internação”, disse.
Ela reforça que o ideal é procurar o obstetra responsável ou um profissional especializado em tratamento de feridas.
“Quando tratadas corretamente, essas complicações deixam de ser um bicho de sete cabeças. Com o tratamento adequado, conseguimos resultados rápidos e seguros”, concluiu.






