Política

“Escala seis por um aumenta em 35% o risco de AVC”, diz Deyvid Bacelar

Mobilização em Brasília defende redução da jornada de trabalho e destaca impactos da escala 6×1 na saúde dos trabalhadores, segundo Deyvid Bacelar.

16/04/2026 19h01
“Escala seis por um aumenta em 35% o risco de AVC”, diz Deyvid Bacelar
Foto: Divulgação

O coordenador licenciado da Federação Única dos Petroleiros e Petroleiras (FUP) e pré-candidato a deputado federal Deyvid Bacelar participou ontem (15/4), em Brasília, da marcha da classe trabalhadora pelo fim da jornada 6 X 1 (seis por um), um dia após o presidente Lula entregar à Câmara dos Deputados, para votação em regime de urgência, o projeto que pretende garantir esse descanso semanal de dois dias para trabalhadores e trabalhadoras brasileiros.

“A escala seis por um, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), aumenta em 35% o risco de AVC e em 17% a incidência de doenças cardíacas para a classe trabalhadora brasileira”, ressaltou Bacelar, durante a marcha de mais de 20 mil pessoas que saiu do Teatro Nacional, passou pela esplanada dos ministérios e chegou até a frente do Congresso Nacional. À tarde, representando a Central Única dos Trabalhadores (CUT), Bacelar e outros 40 dirigentes sindicais participaram de uma reunião com o presidente Lula.

“Esse descanso semanal deverá ocorrer preferencialmente aos sábados e domingos, sem redução de salário. A ideia é que a jornada seja reduzida de 44 horas semanais para 40 e garantida aos 45 milhões de trabalhadores e trabalhadoras que estão no mercado formal de trabalho”, explicou Bacelar.

Segundo ele, na Europa há vários países que já definiram uma jornada de 36 horas semanais, a maioria estabeleceu 40 horas e alguns já adotaram uma jornada de 30 horas semanais. “Possibilitar horas de lazer com a família e também tempo para estudar e se requalificar é fundamental para melhorar a qualidade de vida da classe trabalhadora”, ressaltou Deyvid.

Ainda de acordo com o dirigente sindical licenciado, a chegada de novas tecnologias, da indústria 4.0 e da Inteligência Artificial ao mercado de trabalho possibilitou ganhos de produtividade às indústrias e ao setor de serviços.

“Nada mais justo do que proporcionar à classe trabalhadora um avanço também na legislação trabalhista. Não houve problemas de desemprego nos outros países. Com a redução de jornada as pessoas trabalham mais felizes e há melhoria na produtividade”, garante.

Deyvid Bacelar lembra também que, no Brasil, temos um problema muito grande no transporte público, que é precário e caro, além de afastar ainda mais os trabalhadores e trabalhadoras do convívio com suas famílias.

“A jornada de oito horas acaba se estendendo para 12, 14 horas devido ao tempo que se perde em deslocamento de casa para o trabalho. Para as mulheres, o sacrifício é ainda maior porque chegam em casa e assumem as tarefas domésticas. Os homens deveriam dividir com elas essas tarefas, mas essa não é uma realidade no país, pois eles ainda colocam tudo nas costas das mulheres. Tem também os indicadores que já apontam que grande parte dos lares brasileiros são liderados apenas por mulheres, mães solos que cuidam da casa e dos seus filhos”, frisou.

Bacelar disse discordar do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), Paulo Skaf, que se posicionou contra o fim da escala 6×1, e assegurou que essa não é a mesma posição de outras federações de indústrias do Brasil.

“Há o exemplo de outros países indicando que precisamos evoluir na legislação trabalhista porque será benéfico para a classe trabalhadora e para as próprias indústrias”.

Atualmente , o artigo 7º da Confederação das Leis Trabalhistas (CLT), XIII da Constituição, prevê uma jornada máxima de 8h/dia e 44h/semana, sendo que o descanso semanal é de pelo menos 24h consecutivas, preferencialmente aos domingos.

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