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Engenheiro faz alerta sobre riscos de choque elétrico ao usar celular na tomada

Nos últimos sete anos, o Brasil registrou uma média de 50 acidentes, entre choques e explosões, por ano envolvendo carregadores e baterias de celular

25/01/2026 18h14
Engenheiro faz alerta sobre riscos de choque elétrico ao usar celular na tomada
Foto: Divulgação

O hábito comum de utilizar o celular enquanto ele está carregando pode representar riscos sérios à segurança, incluindo choques elétricos, superaquecimento e até incêndios. O alerta foi feito pelo engenheiro eletricista Ramon Nunes, em entrevista ao programa De Olho na Cidade, ao comentar práticas cotidianas que muitas pessoas adotam sem perceber os perigos envolvidos.

Segundo o engenheiro, não é correto afirmar que o uso do celular na tomada seja totalmente seguro.

“Realmente existem riscos, não tem como dizer que não. O melhor que a gente tem a fazer é evitar utilizar o celular enquanto ele está carregando”, destacou.

Ramon explica que, na maioria das vezes, o maior perigo não está apenas no aparelho, mas na instalação elétrica da residência ou do comércio, que muitas vezes é antiga ou fora dos padrões exigidos pelas normas técnicas.

“Existe risco em locais com instalações elétricas antigas, mal dimensionadas ou fora das normas. Isso aumenta bastante a chance de acidentes”, alertou.

Outro ponto fundamental destacado pelo engenheiro é a qualidade dos carregadores e cabos utilizados. Ele orienta que os consumidores sempre verifiquem se os produtos possuem certificações obrigatórias.

“O carregador e o cabo precisam ter selo da Anatel e do Inmetro. Esses órgãos avaliam se o equipamento atende aos requisitos de segurança antes de ser comercializado”, explicou. Ramon reforça que optar por acessórios muito baratos pode sair caro. “Às vezes a diferença é de dez reais. É melhor pagar um pouco mais do que ter um problema elétrico ou um incêndio depois.”

Além do risco elétrico, o uso contínuo do celular enquanto carrega pode comprometer o funcionamento do aparelho. Isso acontece, segundo Ramon, porque a bateria aquece naturalmente durante o carregamento e sofre ainda mais quando o celular é utilizado ao mesmo tempo.

“A bateria entra num ciclo de carregamento e descarregamento ao mesmo tempo. Isso gera aquecimento, e com o tempo a vida útil do aparelho vai sendo reduzida”, explicou. Ele relatou que hoje mudou seus hábitos. “Quando estou trabalhando, deixo o celular carregando sem usar. Se precisar, respondo algo rápido, mas evito tarefas pesadas.”

O alerta ganha ainda mais importância quando envolve crianças. Ramon alertou sobre o uso do celular por menores enquanto o aparelho está carregando, principalmente em jogos.

“É a pior situação possível. Jogos exigem muito do processamento do celular, fazem ele aquecer mais e ainda colocam a criança em risco, principalmente se o carregador não for original ou a instalação elétrica não for adequada”, afirmou.

Outro hábito comum, mas perigoso, é deixar o celular carregando durante a noite, especialmente sobre a cama.

“Não é recomendado nem pela vida útil da bateria, nem pela segurança. O celular pode superaquecer, o lençol retém calor e isso pode causar um incêndio”, alertou.

Sobre o mito de que carregar o celular consome energia mesmo sem o aparelho conectado, Ramon explicou que o consumo é mínimo, mas o risco existe.

“Pode haver um consumo muito baixo, principalmente em equipamentos de baixa qualidade. Por isso recomendo sempre tirar da tomada”, disse, relatando inclusive já ter tomado um choque leve ao encostar em um carregador conectado.

Caso o celular ou o carregador apresente aquecimento excessivo, a orientação é imediata: “Retire o aparelho da tomada, espere esfriar e verifique se o problema está no cabo ou na fonte. Se estiver com defeito, descarte e não volte a usar”, recomendou.

Uso de ‘T’, extensões e filtros de linha

Questionado sobre o uso de extensões e adaptadores do tipo “T”, Ramon foi categórico: o uso deve ser evitado.

“Os Ts geralmente são feitos com material de baixíssima qualidade. Já vi muitos derreterem. É uma verdadeira gambiarra”, afirmou.

Ele explica que, em casos extremos, se não houver alternativa, o uso deve ser limitado a equipamentos de baixa potência, jamais sendo utilizado para aparelhos como secadores ou ferros de passar. Já extensões e filtros de linha podem ser usados, desde que tenham certificação.

“Filtros de linha certificados possuem fusível de proteção, o que aumenta a segurança”, destacou.

Ramon Nunes reforçou que prevenção é sempre o melhor caminho. “Não significa que vai pegar fogo se deixar na tomada, mas evitar situações de risco é a melhor forma de não ter dor de cabeça no futuro”, concluiu.

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