Em Feira de Santana, Deltan Dallagnol critica condução de investigações por Alexandre de Moraes
O ex-procurador da República realizou uma palestra na cidade
Nesta quinta-feira (15), o ex-procurador da República, Deltan Dallagnol, realizou uma palestra em Feira de Santana com o tema Lava Jato e a Corrupção no Brasil. Durante o evento, Dallagnol, que foi coordenador das investigações da Operação Lava Jato e é atualmente embaixador do Partido Novo, abordou sua trajetória e o impacto das investigações sobre a corrupção.
Em entrevista coletiva, ele criticou o ministro Alexandre de Moraes. Dallagnol levantou acusações sobre a condução de investigações pelo ministro após informações de que Moraes usou mensagens, de forma não oficial, para ordenar que a Justiça Eleitoral produzisse relatórios que embasassem decisões do ministro no inquérito das fake news no STF.
“A gente observa mensagens que vieram à tona indicando que relatórios de investigação eram feitos a pedido de Alexandre de Moraes, que depois decidia sobre esses mesmos relatórios,” afirmou.
Ele destacou que Moraes, ao pedir investigações ao Tribunal Superior Eleitoral e participar das decisões, estaria em uma posição de impedimento, o que tornaria suas ações questionáveis.
“Quando ele faz um pedido de investigação e depois decide sobre o caso, ele deveria se abster de atuar, mas, para disfarçar sua iniciativa, há indícios de que relatórios foram fraudados e falsificados,” criticou.
Dallagnol também mencionou possíveis direcionamentos e manipulações nos processos: “Existem frases do ministro como ‘Eduardo Bolsonaro é bandido’ e instruções para ‘ser criativo’ caso não encontrassem provas suficientes. Isso é grave e fornece indícios de uma perseguição de caráter político.”
O ex-procurador também falou sobre os problemas no Supremo Tribunal Federal (STF), incluindo mudanças nas regras de combate à corrupção e práticas de ativismo judicial.
“O STF tem três grandes problemas: insegurança jurídica, ativismo judicial e abusos, como a censura a redes sociais e buscas e apreensões inadequadas,” afirmou Dallagnol.
Segundo ele, essas questões têm prejudicado o combate à corrupção no Brasil e minado a segurança jurídica e os direitos das pessoas.
*Com informações do repórter Danillo Freitas