Saúde

Dor na relação sexual não é normal: especialistas alertam para o vaginismo e reforçam que condição tem tratamento

Ginecologista e fisioterapeuta pélvica destacam que quadro pode ser tratado com abordagem multidisciplinar

23/03/2026 10h20
Dor na relação sexual não é normal: especialistas alertam para o vaginismo e reforçam que condição tem tratamento

A dor durante a relação sexual ainda é tratada por muitas mulheres como algo “normal”, mas especialistas alertam: esse sintoma pode indicar uma condição chamada vaginismo, que tem diagnóstico e tratamento. O tema foi destaque no programa Cidade em Pauta, com a participação da ginecologista Dra. Márcia Suely e da fisioterapeuta pélvica Michele Versali.

A médica fez um alerta direto: “dor na relação não é normal”, reforçando que o problema é mais comum do que se imagina e muitas vezes passa despercebido.

Segundo Michele Versali, o vaginismo é caracterizado por uma contração involuntária da musculatura do assoalho pélvico, o que impede ou dificulta a penetração.

“Essa musculatura sofre uma tensão involuntária, não é porque a mulher quer. Isso pode impedir a relação sexual, exames ginecológicos e até o uso de absorvente interno”, explicou.

Dados apontam que cerca de 23% das brasileiras sentem dor na relação sexual, mas as especialistas acreditam que esse número é ainda maior.

“Esse dado é subestimado. Eu atendo quase todos os dias pacientes com vaginismo”, afirmou Dra. Márcia.

Um dos fatores que contribuem para a subnotificação é o tabu. Muitas mulheres convivem com o problema por anos sem buscar ajuda. “Ela acha que é normal, porque é um assunto pouco falado”, destacou Michele.

O vaginismo pode ter diversas origens, incluindo fatores emocionais, culturais, traumas físicos e até condições clínicas.

“É uma condição multifatorial. Pode envolver questões educacionais, religiosas, traumas e até doenças como endometriose”, explicou a fisioterapeuta.

A ginecologista reforçou que, embora o emocional tenha grande influência, a dor é real. “Não é frescura. É uma dor verdadeira e precisa ser tratada”, pontuou.

Além da dor na relação, o vaginismo pode trazer outros prejuízos à saúde, como dificuldade para realizar exames ginecológicos, constipação intestinal e até infecções urinárias recorrentes.

“Essa mulher não consegue relaxar a musculatura, o que pode gerar retenção de urina e facilitar infecções”, explicou Michele.

O diagnóstico é feito no consultório, principalmente durante a avaliação ginecológica.

“Não existe exame de sangue ou imagem. É um diagnóstico clínico, feito na conversa e no exame físico”, explicou Dra. Márcia.

O tratamento do vaginismo envolve diferentes profissionais, como ginecologista, fisioterapeuta pélvico e psicólogo. Na fisioterapia, são utilizadas técnicas como massagens perineais, exercícios, eletroterapia e biofeedback.

“A gente trabalha para desativar essa tensão muscular e ensinar a paciente a ter consciência do próprio corpo”, destacou Michele.

Em casos mais severos, podem ser utilizados recursos como toxina botulínica (botox) e laser íntimo para auxiliar no relaxamento muscular e melhorar a qualidade dos tecidos.

“O vaginismo tem cura, principalmente quando tratado precocemente”, reforçou a fisioterapeuta.

As especialistas também chamaram atenção para a importância de quebrar o tabu e buscar ajuda sem vergonha.

“O maior erro é achar que sentir dor é normal. Não é. E tem tratamento”, afirmou Michele.

Dra. Márcia completou com um apelo: “Não tenha vergonha de falar com seu ginecologista. Muitas mulheres contam para amigas, mas não procuram ajuda profissional”.

A mensagem final é clara: mulher não nasceu para sentir dor. Informação, diagnóstico precoce e tratamento adequado são fundamentais para garantir qualidade de vida e bem-estar.

Comentários

Leia também

Saúde
Rótulos de remédios deverão trazer alerta sobre efeitos em motoristas

Rótulos de remédios deverão trazer alerta sobre efeitos em motoristas

Proposta obriga inclusão de avisos claros sobre sonolência, tontura e lentidão dos reflexos...
Saúde
Casos de síndrome respiratória grave avançam entre crianças e acendem alerta de especialistas

Casos de síndrome respiratória grave avançam entre crianças e acendem alerta de especialistas

Alta nas hospitalizações por vírus respiratórios reforça a importância da vacinação...
Saúde
Síndrome do intestino irritável afeta cerca de 10% da população, alerta especialista

Síndrome do intestino irritável afeta cerca de 10% da população, alerta especialista

Médico gastroenterologista destaca relação direta entre emoções, alimentação e saúde...