Documentário “Feiraguay” estreia em festival internacional e retrata identidade cultural de Feira de Santana
Documentário dirigido por Francisco Gabriel Rêgo retrata o cotidiano e a importância cultural do Feiraguay em Feira de Santana.

O longa-metragem feirense “Feiraguay”, dirigido pelo cineasta Francisco Gabriel Rêgo, foi selecionado para a Mostra Competitiva Baiana da 21ª edição do Panorama Internacional Coisa de Cinema, considerado uma das principais vitrines do audiovisual produzido na Bahia. Com 68 minutos de duração, o documentário inicia sua trajetória em um dos festivais mais relevantes do país, com exibições previstas entre os meses de março e abril.
Produzido pela Pau Ferro Produções em parceria com o Coletivo Urgente de Audiovisual (CUAL), o filme parte da realidade de Feira de Santana para dialogar com o cenário nacional. A narrativa mergulha no cotidiano do Feiraguay, um dos maiores entrepostos comerciais do Nordeste, construindo um retrato sensível sobre trabalho, memória e as dinâmicas sociais da cidade.
Segundo o diretor Francisco Gabriel Rêgo, a seleção para o festival representa um momento importante para o cinema baiano e para a difusão da cultura local.
“A seleção para o Panorama tem uma importância fundamental para o documentário e também para o cinema baiano. Trata-se de uma das principais janelas de exibição da Bahia e do festival mais antigo em atuação no estado. Ele estabelece relações entre produções baianas, nacionais e internacionais, funcionando como uma janela para a Bahia, para o Brasil e também para o mundo”, afirmou.
O cineasta destacou ainda que a estreia do filme no festival era uma expectativa da equipe desde o início do projeto.
“É uma grande satisfação ter o documentário ‘Feiraguay’ iniciando sua jornada nesse espaço. Tínhamos a expectativa de que o filme pudesse estrear nacionalmente na Bahia, justamente em um festival que evidencia a produção cultural do estado e estabelece interlocuções com o cenário nacional e internacional”, disse.
Durante a produção, a equipe buscou explorar as características próprias do Feiraguay, um espaço marcado pela intensa circulação de pessoas, sons e histórias.
“É um espaço vivo, com uma sonoridade muito própria e com pessoas muito específicas. Muitos que trabalham ali são comerciantes, mas também artistas. Essas características nos convidaram a repensar o estilo do filme, com uma câmera mais próxima das pessoas e dos encontros que acontecem naquele território”, explicou o diretor.
De acordo com Francisco Gabriel, o documentário adota uma linguagem inspirada no cinema direto, privilegiando o deslocamento pelos corredores do entreposto e os encontros com personagens que construíram suas trajetórias no local.
“A câmera estabelece uma caminhada. Caminhar é encontrar pessoas, e falar de encontros é falar também de Feira de Santana, que é uma cidade marcada por caminhos que se cruzam. No Feiraguay, a gente se encontra, se esbarra, conversa. Ali a gente consegue ser um pouco mais feirense”, destacou.
Embora tenha como ponto de partida o entreposto comercial, o filme busca refletir sobre a própria identidade cultural da cidade.
“O documentário tem como proposta falar do Feiraguay, mas também falar de Feira de Santana. Queríamos mostrar como aquele espaço é importante para a nossa cultura. Muitas vezes ele é visto apenas como um local de comércio, mas também é um espaço cultural, de trocas, de histórias e de relações coletivas”, afirmou Francisco Gabriel.
O diretor ressalta que o território comercial também revela aspectos da formação histórica da cidade.
“As pessoas que construíram o Feiraguay também ajudaram a construir Feira de Santana. São histórias de gente que sonhou em se estabelecer na cidade e encontrou no comércio um caminho para isso. Hoje é impossível falar de Feira sem falar do Feiraguay”, completou.
Desenvolvimento econômico e turismo
Atualmente, o Feiraguay conta com cerca de 650 boxes e registra um movimento médio diário de aproximadamente mil pessoas, consolidando-se como um dos principais polos comerciais do interior do Nordeste.
A secretária municipal de Trabalho, Turismo e Desenvolvimento Econômico, Márcia Ferreira, destaca que o local passa por um processo de requalificação urbanística promovido pela prefeitura.
“Está havendo uma requalificação urbanística no entorno do Feiraguay, com melhorias nos passeios, infraestrutura, banheiros, posto de saúde e uma praça de alimentação. A ideia é criar uma zona turística apropriada para receber bem o visitante que busca produtos e encontra também um ambiente agradável”, afirmou.
Segundo a gestora, o espaço também se fortalece a partir da parceria entre poder público e empreendedores.
“Hoje são cerca de 650 permissionários e um movimento diário significativo. Isso mostra que a união entre o poder público e as entidades representativas fortalece esse hub de comércio e oportunidades”, ressaltou.
Ela também destacou o papel do associativismo na organização do setor.
“O associativismo é fundamental para a sustentabilidade desse tipo de negócio. A associação dos permissionários atua como elo entre os empreendedores e o poder público, permitindo que as demandas sejam discutidas e atendidas de forma mais rápida”, explicou.
Além da infraestrutura, a prefeitura também promove ações de capacitação para os comerciantes.
“Disponibilizamos treinamentos e cursos para que os empreendedores possam aprimorar suas estratégias de venda, desde a exposição dos produtos até a integração entre comércio físico e online”, acrescentou.
Exibições e debates
O Panorama Internacional Coisa de Cinema acontece entre março e abril, com sessões em Salvador e Cachoeira. As exibições do documentário “Feiraguay” ocorrerão no Cine Theatro Cachoeirano, no dia 27 de março, e no Cine Glauber Rocha, nos dias 30 de março e 1º de abril.
Após as sessões, o público poderá participar de debates com a equipe do filme, discutindo o processo de produção e os temas abordados na obra.
*Com informações do repórter JP Miranda






