Saúde

Dia da Mentira: neurologista explica como o cérebro reage ao ato de mentir e alerta para impactos neurológicos

Especialista destaca que mentir exige esforço mental, ativa diferentes áreas do cérebro e pode se tornar mais fácil com a repetição

01/04/2026 10h33
Dia da Mentira: neurologista explica como o cérebro reage ao ato de mentir e alerta para impactos neurológicos
Créditos: depositphotos.com / IgorVetushko

No dia 1º de abril, marcado pelo tradicional “Dia da Mentira”, o neurologista Jamyllo Brito trouxe uma reflexão científica sobre o tema, destacando que mentir é uma atividade complexa para o cérebro humano e exige um alto nível de esforço cognitivo.

Coordenador da unidade de AVC do Hospital Clériston Andrade, o especialista explica que, ao contrário do que muitos imaginam, mentir não é um processo simples.

“Pra você mentir, primeiro você precisa inibir uma verdade. Você precisa criar versões alternativas e coerentes, reduzir a ansiedade por conta do medo de ser descoberto”, afirmou.

Segundo o neurologista, esse processo ativa regiões específicas do cérebro, como o córtex pré-frontal, responsável pelo planejamento e execução, e interfere na atuação da amígdala, área ligada às emoções.

“Mentir estressa muito o cérebro, porque tem que ativar essas regiões e desativar outras relacionadas ao controle emocional, gerando um conflito interno”, destacou.

Esse esforço mental pode, inclusive, ser percebido no comportamento. De acordo com Dr. Jamyllo, pessoas que mentem tendem a apresentar mais lentidão nas respostas e inconsistências quando são questionadas repetidamente.

“Não sei se vocês já notaram, mas quando alguém mente, fica mais lento ao responder e pode cometer erros”, explicou.

O especialista também ressalta que a verdade, por outro lado, é um processo mais simples. “Dizer a verdade é automático, é só recuperar o que está na memória”, pontuou.

Outro ponto levantado pelo neurologista é que a repetição da mentira pode alterar a forma como o cérebro reage.

“Quando você repete a mentira várias vezes, o cérebro se acomoda. A mentira passa a gerar menos culpa e desconforto, ficando mais fácil mentir”, afirmou, reforçando a ideia popular de que uma mentira repetida pode parecer verdade.

Dr. Jamyllo também mencionou que existem perfis específicos, como indivíduos com traços psicopáticos, que apresentam menor ativação em áreas cerebrais relacionadas à emoção, o que facilita o ato de mentir.

“Para essas pessoas, mentir é algo mais fácil porque elas sentem menos desconforto”, disse.

Apesar dos avanços científicos, o médico reforça que não existe uma única área do cérebro responsável pela mentira.

“O ato de mentir envolve diversas conexões cerebrais ligadas à memória, linguagem e emoção”, concluiu.

A reflexão reforça que, mesmo em tom de brincadeira no Dia da Mentira, o cérebro humano trabalha intensamente para sustentar uma inverdade, o que pode ter impactos diretos no comportamento e no bem-estar emocional.

*Com informações do repórter JP Miranda

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