COP 30

Descarbonização exige estratégia ampla e justa, defende dirigente do Instituto Lula na COP 30

O dirigente sindical enfatizou que a mudança para uma economia de baixo carbono não pode ignorar o impacto sobre trabalhadores e comunidades.

14/11/2025 20h01
Descarbonização exige estratégia ampla e justa, defende dirigente do Instituto Lula na COP 30
Foto: Reprodução/Semob

O diretor do Instituto Lula e dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Paulista, Wellington Damasceno, participou de um painel sobre descarbonização do setor de transportes na COP 30, em Belém, onde destacou a necessidade de o Brasil adotar uma estratégia ampla, articulada e socialmente justa para reduzir emissões.

Segundo ele, o debate sobre o tema é urgente e deve considerar a diversidade da matriz de transporte brasileira.

“Estamos na COP, um momento internacional em que o mundo inteiro discute descarbonização. No Brasil, o setor de transportes não é o maior poluidor, mas emite cerca de 260 milhões de toneladas de CO₂. É muita coisa, e por isso precisamos pensar essa agenda com seriedade”, afirmou.

Damasceno ressaltou que o país não deve se limitar a uma única solução tecnológica.

“É necessário pensar de forma articulada, orientada pelo governo federal. E não precisamos excluir nenhuma tecnologia. O Brasil pode conviver com várias alternativas: etanol em motor a combustão, eletrificação, hidrogênio, biogás, biometano, tudo isso cabe na nossa realidade”, destacou.

Ele lembrou que a descarbonização precisa ir além dos automóveis.

“A gente pensa muito em carro, ônibus, caminhão. Mas é preciso olhar o transporte como um todo. Já temos testes com hidrogênio em navios e debates sobre combustíveis menos poluentes na aviação”, explicou.

Sobre a chegada crescente dos carros elétricos ao mercado brasileiro, Wellington vê aspectos positivos, mas alerta para riscos sociais.

“É uma nova tecnologia que contribui para a descarbonização, mas o sindicato está preocupado com a transição justa. Não podemos simplesmente importar tecnologia e gerar milhares de desempregos nos setores que produzem veículos no Brasil”, disse.

Ele defende que a produção nacional precisa ser prioridade: “É fundamental desenvolver e fabricar essa tecnologia aqui, para manter empregos e até exportar.”

Damasceno também comentou sobre as barreiras para expansão dos elétricos no país: “O Brasil é continental. Em grandes centros urbanos, os eletropostos vão atender bem. Mas regiões que dependem de grandes distâncias terão dificuldades. Por isso, diversas tecnologias precisam coexistir”, afirmou.

Entre os principais desafios, ele cita:
– popularizar a tecnologia, ampliando a rede de recarga;
– criar identidade nacional, superando a desconfiança dos consumidores;
– nacionalizar a produção, garantindo toda a cadeia de serviços e manutenção.

O dirigente sindical enfatizou que a mudança para uma economia de baixo carbono não pode ignorar o impacto sobre trabalhadores e comunidades.

“É preciso colocar o ser humano no centro. Quando falamos de indústria e de novas tecnologias, estamos falando de emprego, qualificação, reconversão do local de trabalho e manutenção da renda”, afirmou.

Damasceno defende que a transição também deve melhorar os serviços públicos: “No transporte, uma transição justa significa melhorar o serviço ofertado à população, preservando empregos e elevando a qualidade de vida.”

Ao comentar projeções de crescimento dos elétricos, ele ponderou que a análise da descarbonização deve considerar toda a cadeia produtiva.

“A estimativa é que os carros elétricos cheguem a 8% do mercado no próximo ano. Mas a comparação entre combustão e eletrificação não pode ser feita apenas pelo abastecimento. É preciso avaliar o ciclo completo. No Brasil, um carro a etanol emite menos que um elétrico na Europa, onde a matriz energética é mais poluente”, explicou.

Segundo ele, alternativas como etanol, hidrogênio, biometano e biodiesel seguem fundamentais.

“Se 10% do combustível usado pelos países presentes na COP tivesse etanol na composição, já seria possível cumprir compromissos de quase 50%. Ou seja, existe muito potencial além da eletrificação”, afirmou.

*Com informações de Jorge Biancchi, direto da COP 30 em Belém

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