De professora a empresária: Empreendedora transforma experiência familiar em negócio de sucesso em Feira de Santana
História da empresária mostra como desafios da maternidade e do mercado levaram à criação de novos nichos

A trajetória da empresária Jackeline Caires mostra como desafios pessoais podem se transformar em oportunidades no mundo dos negócios. Proprietária da gráfica Emgraf e da Papelaria Infinity, ela participou da uma série especial Março Mulher e contou como sua história profissional mudou após a maternidade e acabou abrindo portas para novos empreendimentos em Feira de Santana.
Formada em Pedagogia, Jackeline atuou durante 12 anos como professora. No entanto, a chegada do segundo filho trouxe a necessidade de reorganizar a rotina familiar.
“O empreendedorismo caiu pra mim meio que de supetão. Eu tive que deixar a minha profissão para cuidar mais de perto dos meus filhos. Preferi estar em casa auxiliando nas tarefas escolares e na rotina deles”, relatou.
Durante cerca de cinco anos, ela se dedicou exclusivamente à família. Mas com o tempo surgiu a vontade de voltar ao mercado de trabalho, o que a levou a se aproximar do negócio da família.
“Comecei a auxiliar meu esposo na Emgraf. No início procurei me encaixar em algum setor, porque o ramo gráfico é bem complexo, envolve tipos de papéis, gramaturas, tamanhos. Até você se adaptar leva um tempo”, explicou.
A Emgraf, empresa que já faz parte da história empresarial da cidade, possui 47 anos de atuação. Foi a partir da experiência com clientes da gráfica que Jackeline identificou uma oportunidade de negócio que daria origem à Papelaria Infinity.
Segundo ela, muitos clientes buscavam materiais específicos que não eram encontrados facilmente em Feira de Santana.
“As pessoas precisavam de papéis diferentes para convites ou outros trabalhos e muitas vezes tinham que ir até Salvador comprar e trazer para a gente imprimir. Foi aí que eu percebi essa necessidade de trazer esses materiais para a cidade”, contou.
Inicialmente, a ideia era criar apenas uma distribuidora de papéis, mas o projeto acabou evoluindo para algo maior.
“A Infinity nasceu praticamente da Emgraf. Eu costumo dizer que a Emgraf é a mãe da Infinity. Muito do que a gente produz na gráfica também é vendido lá”, destacou.
Outro diferencial foi atender demandas menores que a gráfica tradicionalmente não realizava.
“Na gráfica a gente trabalhava com grandes tiragens. Se alguém precisava de 30 cartões ou 50 panfletos, não conseguíamos atender. Na Infinity criamos esse nicho de pequenas tiragens”, explicou.
Com o aumento da procura, a empresa expandiu suas atividades e ampliou o atendimento ao público. O crescimento levou a mudança para um espaço maior na Avenida Getúlio Vargas.
O objetivo passou a ser oferecer um atendimento completo para famílias e estudantes.
“A mãe chega na loja, faz etiqueta escolar, personaliza caderno, compra agenda, mochila e já sai com tudo pronto para o filho levar para a escola”, afirmou.
Mesmo com o crescimento das empresas, Jackeline reconhece que um dos maiores desafios do empreendedorismo atualmente é formar equipes qualificadas.
“Hoje em dia é um grande desafio montar um time disposto a trabalhar e atender bem. Graças a Deus a gente tem recebido muitos elogios pelo atendimento das nossas equipes”, disse.
Incentivo ao empreendedorismo feminino
Além de atuar no comércio, Jackeline também destaca o impacto indireto do negócio no incentivo ao empreendedorismo feminino. Segundo ela, muitas mulheres utilizam os materiais vendidos na loja para produzir itens personalizados em casa.
“Vendemos insumos e máquinas para muitas mulheres que trabalham com papelaria personalizada, agendas e cadernos. Muitas empreendem em casa e isso também é fruto do nosso trabalho. A gente se orgulha muito disso”, destacou.
Para a empresária, o crescimento da participação feminina no empreendedorismo é resultado da busca por independência e realização profissional.
“Hoje as mulheres estão muito em busca dos seus objetivos. Ter alguém que apoie é importante, mas mesmo quando não tem, muitas seguem em frente e conseguem”, avaliou.
Jackeline deixou uma mensagem para mulheres que sonham em abrir o próprio negócio, mas ainda enfrentam medo ou insegurança.
“O medo sempre vai existir. A gente precisa enfrentá-lo e não deixar que ele paralise. Tem que dar o primeiro passo, mesmo com medo. Se ficar esperando perder o medo, a pessoa fica estagnada”, aconselhou.
Ela também relembrou que até mesmo em momentos difíceis podem surgir oportunidades, como ocorreu durante a pandemia.
“Quando veio a pandemia eu pensei que a loja ia fechar, porque muitos produtos eram para festas. Mas foi justamente a época que mais vendemos. As pessoas começaram a fazer pequenas comemorações em casa e a demanda aumentou muito”, concluiu.







