Março Mulher

De professora a empresária: Empreendedora transforma experiência familiar em negócio de sucesso em Feira de Santana

História da empresária mostra como desafios da maternidade e do mercado levaram à criação de novos nichos

14/03/2026 18h05
De professora a empresária: Empreendedora transforma experiência familiar em negócio de sucesso em Feira de Santana

A trajetória da empresária Jackeline Caires mostra como desafios pessoais podem se transformar em oportunidades no mundo dos negócios. Proprietária da gráfica Emgraf e da Papelaria Infinity, ela participou da uma série especial Março Mulher e contou como sua história profissional mudou após a maternidade e acabou abrindo portas para novos empreendimentos em Feira de Santana.

Formada em Pedagogia, Jackeline atuou durante 12 anos como professora. No entanto, a chegada do segundo filho trouxe a necessidade de reorganizar a rotina familiar.

“O empreendedorismo caiu pra mim meio que de supetão. Eu tive que deixar a minha profissão para cuidar mais de perto dos meus filhos. Preferi estar em casa auxiliando nas tarefas escolares e na rotina deles”, relatou.

Durante cerca de cinco anos, ela se dedicou exclusivamente à família. Mas com o tempo surgiu a vontade de voltar ao mercado de trabalho, o que a levou a se aproximar do negócio da família.

“Comecei a auxiliar meu esposo na Emgraf. No início procurei me encaixar em algum setor, porque o ramo gráfico é bem complexo, envolve tipos de papéis, gramaturas, tamanhos. Até você se adaptar leva um tempo”, explicou.

A Emgraf, empresa que já faz parte da história empresarial da cidade, possui 47 anos de atuação. Foi a partir da experiência com clientes da gráfica que Jackeline identificou uma oportunidade de negócio que daria origem à Papelaria Infinity.

Segundo ela, muitos clientes buscavam materiais específicos que não eram encontrados facilmente em Feira de Santana.

“As pessoas precisavam de papéis diferentes para convites ou outros trabalhos e muitas vezes tinham que ir até Salvador comprar e trazer para a gente imprimir. Foi aí que eu percebi essa necessidade de trazer esses materiais para a cidade”, contou.

Inicialmente, a ideia era criar apenas uma distribuidora de papéis, mas o projeto acabou evoluindo para algo maior.

“A Infinity nasceu praticamente da Emgraf. Eu costumo dizer que a Emgraf é a mãe da Infinity. Muito do que a gente produz na gráfica também é vendido lá”, destacou.

Outro diferencial foi atender demandas menores que a gráfica tradicionalmente não realizava.

“Na gráfica a gente trabalhava com grandes tiragens. Se alguém precisava de 30 cartões ou 50 panfletos, não conseguíamos atender. Na Infinity criamos esse nicho de pequenas tiragens”, explicou.

Com o aumento da procura, a empresa expandiu suas atividades e ampliou o atendimento ao público. O crescimento levou a mudança para um espaço maior na Avenida Getúlio Vargas.

O objetivo passou a ser oferecer um atendimento completo para famílias e estudantes.

“A mãe chega na loja, faz etiqueta escolar, personaliza caderno, compra agenda, mochila e já sai com tudo pronto para o filho levar para a escola”, afirmou.

Mesmo com o crescimento das empresas, Jackeline reconhece que um dos maiores desafios do empreendedorismo atualmente é formar equipes qualificadas.

“Hoje em dia é um grande desafio montar um time disposto a trabalhar e atender bem. Graças a Deus a gente tem recebido muitos elogios pelo atendimento das nossas equipes”, disse.

Incentivo ao empreendedorismo feminino

Além de atuar no comércio, Jackeline também destaca o impacto indireto do negócio no incentivo ao empreendedorismo feminino. Segundo ela, muitas mulheres utilizam os materiais vendidos na loja para produzir itens personalizados em casa.

“Vendemos insumos e máquinas para muitas mulheres que trabalham com papelaria personalizada, agendas e cadernos. Muitas empreendem em casa e isso também é fruto do nosso trabalho. A gente se orgulha muito disso”, destacou.

Para a empresária, o crescimento da participação feminina no empreendedorismo é resultado da busca por independência e realização profissional.

“Hoje as mulheres estão muito em busca dos seus objetivos. Ter alguém que apoie é importante, mas mesmo quando não tem, muitas seguem em frente e conseguem”, avaliou.

Jackeline deixou uma mensagem para mulheres que sonham em abrir o próprio negócio, mas ainda enfrentam medo ou insegurança.

“O medo sempre vai existir. A gente precisa enfrentá-lo e não deixar que ele paralise. Tem que dar o primeiro passo, mesmo com medo. Se ficar esperando perder o medo, a pessoa fica estagnada”, aconselhou.

Ela também relembrou que até mesmo em momentos difíceis podem surgir oportunidades, como ocorreu durante a pandemia.

“Quando veio a pandemia eu pensei que a loja ia fechar, porque muitos produtos eram para festas. Mas foi justamente a época que mais vendemos. As pessoas começaram a fazer pequenas comemorações em casa e a demanda aumentou muito”, concluiu.

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