Brasil

Corpo de Juliana Marins chega ao Brasil; nova autópsia será feita a pedido da família

Família quer esclarecer se houve negligência no resgate na Indonésia; Brasil pode abrir investigação própria

02/07/2025 07h21
Corpo de Juliana Marins chega ao Brasil; nova autópsia será feita a pedido da família
Foto: Reprodução/Redes Sociais

O corpo da publicitária Juliana Marins chegou a São Paulo no fim da tarde desta terça-feira (1º), seis dias após ser resgatado no monte Rinjani, na Indonésia. A urna funerária segue para o Rio de Janeiro, com chegada prevista para as 18h30, onde será realizada uma nova autópsia no Instituto Médico Legal Afrânio Peixoto.

A nova perícia, solicitada pela família, poderá subsidiar uma investigação internacional sobre as circunstâncias da morte, segundo a defensora regional de direitos humanos Taísa Bittencourt. 

A decisão foi confirmada pelo governo federal, que, por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), atendeu voluntariamente ao pedido da família. A AGU solicitou à Justiça Federal uma audiência urgente para definir os detalhes do novo exame.

Relembre o caso 

Juliana caiu em uma trilha no dia 20 de junho e só foi localizada no dia 23, com auxílio de drone térmico. No dia seguinte, equipes conseguiram alcançar o local e constataram sua morte. O corpo foi resgatado no dia 25 com múltiplas fraturas e hemorragia interna, segundo o laudo inicial.

Há indícios de que ela tenha sofrido mais de uma queda. Imagens de drones mostraram Juliana em locais diferentes entre os dias 21 e 25. Segundo o legista, ela pode ter sobrevivido por até quatro dias após o primeiro acidente.

A família acusa negligência no resgate e cobra responsabilização. Uma das principais críticas é a ausência de estrutura e prontidão no Parque Nacional do Monte Rinjani. A polícia de Lombok afirma já ter ouvido quatro testemunhas, incluindo o guia Ali Musthofa, que teria deixado Juliana para trás.

As autoridades locais alegam dificuldades com o terreno, o clima e a falta de estrutura como causas para a demora no resgate. Montanhistas relataram que o parque não possui equipe de plantão nem equipamentos adequados, e que é comum depender de voluntários reunidos após os acidentes.

Outro ponto de incerteza é a hora da morte. A agência de resgate da Indonésia informou que ela já estava sem vida na noite de terça (24), mas o legista brasileiro estimou o óbito entre 14h de terça e 2h de quarta, no horário de Brasília.

Também não está claro por que Juliana não usava casaco, considerando as temperaturas de até 4°C à noite na montanha. As imagens iniciais mostraram que ela vestia apenas calça, camiseta, luvas e botas — não se sabe se levava mochila ou outros equipamentos.

A nova perícia no Brasil, apesar do estado avançado de deterioração do corpo, será feita “com base nas normas e nas leis brasileiras”, afirmou a defensora Taísa Bittencourt. “Os peritos têm dúvidas se vão conseguir efetivamente constatar algo, mas é desejo da família entender, na nossa cultura, o que efetivamente aconteceu”, completou 

Comentários

Leia também

Brasil
Vorcaro é transferido para ala de saúde da prisão por medida de segurança

Vorcaro é transferido para ala de saúde da prisão por medida de segurança

Ex-banqueiro do Banco Master permanece isolado e sob monitoramento na penitenciária ...
Brasil
Moraes determina vigilância policial 24 horas em hospital onde Bolsonaro está internado

Moraes determina vigilância policial 24 horas em hospital onde Bolsonaro está internado

Decisão do STF prevê presença permanente da PM na porta do quarto e proíbe entrada...
Brasil
Gilmar Mendes leva ao plenário caso de Lulinha e quebra de sigilo da CPMI do INSS

Gilmar Mendes leva ao plenário caso de Lulinha e quebra de sigilo da CPMI do INSS

STF analisa suspensão determinada por Flávio Dino envolvendo o filho do presidente Lula...