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Cenário na Venezuela reacende debate sobre riscos e oportunidades no mercado imobiliário

Especialista avalia impactos da instabilidade política após operação militar dos EUA e alerta: investir no país hoje se assemelha mais a uma aposta do que a um investimento seguro

08/01/2026 10h39
Cenário na Venezuela reacende debate sobre riscos e oportunidades no mercado imobiliário
Foto: Isaac Urrutia/Reuters

No dia 3 de janeiro de 2026, os Estados Unidos lançaram uma operação militar na Venezuela, que resultou na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, além de bombardeios em Caracas e em outras regiões do país. A ação gerou forte repercussão internacional e abriu debates sobre soberania nacional, segurança e o futuro político e econômico venezuelano.

Diante desse cenário, o Jornal do Meio Dia, da Rádio Princesa FM, ouviu o especialista em mercado imobiliário Humberto Mascarenhas, que analisou os possíveis reflexos da instabilidade no setor imobiliário e alertou investidores sobre os riscos envolvidos.

Segundo Humberto, apesar da crise atual, a Venezuela possui características que historicamente sempre atraíram investidores.

“A Venezuela já foi um dos países mais ricos do mundo e o mais próspero da América Latina. É o país com a maior reserva de petróleo do mundo, maior até que a Arábia Saudita, além de uma imensa reserva de ouro. Então dizer que não é um país atrativo para investir não seria verdadeiro”, destacou.

No entanto, o especialista pondera que o momento exige atenção redobrada.

“É um local que promete muito, mas que requer um cuidado muito superior ao que um investidor teria hoje no Brasil, por conta da situação política”, completou.

Questionado sobre a viabilidade de investir em imóveis na Venezuela neste momento, Humberto foi direto ao classificar o cenário.

“Existe a possibilidade, sim, mas eu diria que hoje mudaria até o nome de investimento para aposta. Quando você aposta, o risco de perda é muito maior. O apostador sabe que pode ganhar muito, mas também pode perder tudo”, afirmou.

De acordo com ele, esse tipo de operação só é indicado para investidores experientes e com perfil extremamente arrojado.

“São pessoas que diversificam muito o portfólio e deixam apenas um pequeno percentual para esse tipo de risco. Nunca investem tudo em uma única operação”, explicou.

Outro ponto de atenção levantado por Humberto envolve imóveis localizados em regiões litorâneas, que têm sido bastante divulgadas por influenciadores e investidores.

“A Venezuela faz parte do Caribe, e sabemos que os mares caribenhos são extremamente atrativos. Isso tem feito muita gente criar conteúdo estimulando esse tipo de investimento, principalmente à beira-mar”, observou.

Apesar disso, ele alerta para possíveis entraves legais.

“Assim como no Brasil existem áreas de marinha com legislações específicas, lá também deve haver regras próprias. É fundamental fazer uma diligência, contratar um profissional local especializado em direito imobiliário para analisar toda a documentação do imóvel”, alertou.

Ao ser questionado se recomendaria esse tipo de investimento, Humberto foi enfático:

“Eu não recomendo. A grande maioria dos investidores imobiliários não tem esse perfil agressivo. Meu conselho é investir no Brasil, que tem várias regiões atrativas, especialmente o Nordeste, que vem atraindo investidores do mundo inteiro”, disse.

Segundo ele, o Nordeste brasileiro tem se consolidado como polo turístico e imobiliário.

“Grandes empresas europeias têm investido pesado na região, com a construção de polos turísticos, devido ao enorme potencial que o Nordeste oferece”, ressaltou.

Durante a entrevista, Humberto também explicou os principais requisitos para estrangeiros adquirirem imóveis no Brasil.

“O primeiro passo é tirar o CPF. Sem CPF e sem conta bancária no Brasil, não é possível comprar imóvel. A pessoa precisa ter documentação local”, explicou.

Ele alertou ainda para situações comuns envolvendo estrangeiros que nunca estiveram no país.

“Já vimos casos de pessoas que queriam comprar imóveis sem nunca terem vindo ao Brasil. Isso não é possível sem regularização”, afirmou.

Ao falar sobre brasileiros adquirindo imóveis, Humberto destacou um dado preocupante.

“Mais de 60% dos imóveis no Brasil são irregulares. Por isso, a primeira coisa é verificar a matrícula do imóvel, que funciona como o CPF do bem”, explicou.

Ele reforçou a importância de checar não apenas o imóvel, mas também o vendedor.

“É essencial verificar se o vendedor responde a processos ou execuções, porque isso pode recair sobre o comprador futuramente”, alertou.

Humberto deixou uma orientação direta aos ouvintes.

“O imóvel é o maior investimento da vida de uma pessoa. É preciso deixar a emoção de lado, buscar profissionais capacitados e tomar todos os cuidados legais para que um sonho não se transforme em um pesadelo”, aconselhou.

Segundo ele, apesar dos desafios, o mercado imobiliário brasileiro está cada vez mais seguro.

“Temos leis que fortalecem o setor, mas o cuidado do comprador continua sendo fundamental”, concluiu.

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